segunda-feira, 14 de abril de 2014

Futsal | Entrevista a Joaquim Augusto

“Vou trabalhar muito para ganhar novamente o troféu de Melhor Treinador do Ano do clube”

Joaquim Augusto levou, em duas épocas, o futsal do Feirense dos distritais à 2.ª Divisão Nacional. O melhor treinador do ano do clube pretende ainda sagrar-se campeão da 3.ª Divisão e mantém vivo o sonho de ver a equipa na 1.ª Divisão.

O Feirense viveu uma época quase perfeita até ao momento, marcada pela subida à 2.ª Divisão Nacional. Com que sentimento sai desta temporada?

O percurso que fizemos, desde o primeiro ano da secção até quando cheguei ao clube, tem sido fantástico. Antes de chegar, existia o futsal mas era um grupo de amigos. Ele, mais cedo ou mais tarde, teria que acabar, porque não era isso que o Feirense pretendia da chamada “segunda modalidade” do clube. A visibilidade que ela hoje tem deve-se ao presidente do futsal, Vítor Pais, quando me convida para o projecto. A partir daí, deveu-se ao trabalho e à paixão com que me envolvi com o clube, tal como a minha equipa técnica. Os jogadores também foram muito bem escolhidos. Mais não fiz do que guiá-los para o sucesso. Este ano, diziam que éramos favoritos mas isso era só no papel. Retocámos o plantel com dois ou três elementos e, em Dezembro, foi fundamental a vinda da experiência do Calão e do Mino, que vieram dar o sal e a pimenta que a equipa precisava. As bases – o presidente, Vítor Pais, e eu – continuaram a ser fortes. Porém, temos tido imensas dificuldades económicas. Não são dramáticas como disse o presidente do clube, Fernando Costa, mas, aqui e acolá, tornam-se sempre chatas. É muito difícil arranjar patrocínios, ainda para mais numa modalidade que é nova no clube. Eu e o presidente (da secção) dizemos sempre: “Com dinheiro não deve faltar quem queira treinar ou dirigir o Feirense”. Sem dinheiro, estivemos os dois a trabalhar muito para chegar ao final da época passada com tudo em dia. Neste momento, já tivemos a ajuda de meios da Direcção do Feirense, porque percebeu que, se com nada fizemos muito, é porque queremos trabalhar. Queremos que nos permitam ter meios para podermos angariar fundos para ter uma modalidade que vai dar prestígio ao clube, vai ganhar títulos e que vai ser um orgulho para todos os feirenses. No dia 31 de Maio, a secção de futsal, para com a sua equipa técnica e jogadores, vai ter tudo em dia, como um clube sério que sempre foi. Para a nova época, se for convidado, entregarei todo o projecto, que já está feito. Não vamos assumir a subida de divisão na próxima época, porque ainda não sabemos quem são as equipas com quem vamos competir. Em função dessa série, comunicaremos o nosso objectivo. Agora, jogar para perder, nunca. Tenho dito, em off, aos meus colegas treinadores no Feirense para se cuidarem, porque vou trabalhar muito para ganhar novamente o troféu de Melhor Treinador do Ano do clube. Gostava de juntar mais um, para oferecer à minha mãe. Seria óptimo que, em Abril do próximo ano, tivéssemos uma esperança para lutar por um playoff de subida à 1.ª Divisão Nacional. Seria histórico no mundo do futsal um clube, em três anos, subir do Distrital à 1.ª Divisão Nacional.

A única derrota no campeonato, até ao momento, frente ao Sangemil, deixou um travo amargo?

Nada de traumas. O grupo, na terça-feira seguinte, treinou com a mesma alegria. Esse jogo foi um percalço. Estávamos a ganhar na primeira parte 2-1, mandámos sete bolas ao poste, e cada vez que a bola ia ao nosso meio-campo, connoso a jogar com o guarda-redes avançado, entrava… O Sangemil teve muita sorte. Mas, no jogo seguinte, contra o Gondomar, a equipa deu uma boa resposta. O resultado, 8-3, diz tudo. Mas venho dizendo a toda a estrutura do Feirense que estão mal habituados, porque estamos a ganhar sempre. Quero ver as pessoas do nosso lado quando, numa 2.ª Divisão Nacional, perdermos aqui e acolá, em 18 jogos, e mesmo assim podermos ser primeiros. É nesses momentos que o Feirense terá que mostrar toda a experiência de perceber que o mundo do desporto não se faz só de vitórias, mas também com algumas derrotas, que nos fazem crescer. Eu, com certeza, não vou ficar abalado, nem os jogadores. Se a estrutura tiver o mesmo pensamento, será óptimo.

Qual foi o momento mais alto da temporada?

A Gala. Não por o Teixeira ter ganho o prémio de Melhor do Ano do futsal, ou de o treinador do futsal ter sido o Melhor Treinador do ano no clube, mas, naquele momento, toda a estrutura do futsal sentiu que a modalidade deixou de ser um parente pobre para ser um filho do Feirense. Deu-me muito gozo, porque pudemos, perante os sócios, mostrar que o futsal vale a pena e que teve um trabalho extraordinário. O prémio é uma responsabilidade para ser mais competente na próxima época. Vou pedir à nova Direcção que quero trabalhar com pessoas com as quais me sinta bem, que me respeitem, que sejam gratas por aquilo que eu, e a minha equipa técnica, temos feito. Se essas condições me forem dadas, vamos ter outro caminho de sucesso. Até final da época, queremos ser campeões. Isso tem importância na história do Feirense, e gostaria de ser recordado como sendo campeão da última edição da 3.ª Divisão Nacional. Agradeço ao Fernando Costa, ao Franclim Freitas e ao Rodrigo Nunes pelo apoio que nos têm dado nos jogos.

E o mais difícil?

Tivemo-lo no Natal. Atravessámos uma grave crise financeira e não tivemos meios para poder, muitas vezes, pagar o combustível da carrinha para ir e vir ao Porto. Os patrocinadores não apareceram, várias promessas para a secção do futsal não foram cumpridas, e o presidente, Vítor Pais, teve muita dificuldade para assumir os compromissos. Não foi nada de dramático mas, sendo sempre para os mesmos, magoa. Por coincidência, até à altura da Gala houve um determinado movimento de algumas pessoas, nomeadamente da Direcção do clube, que entendeu que precisávamos de ajuda e que chegou a altura de nos ajudar. E não foi só economicamente. Também criou alguns meios para que pudéssemos acabar bem a época.

Muito mais a frio, como se recorda do episódio em Nelas? Acha que manchou a campanha do Feirense?

Não, longe disso. Estou a aguardar pelo final da época para emitir um comunicado, mas esse episódio não mancha em nada. Foi um momento emotivo. Não fico feliz pelo que aconteceu mas não sou hipócrita. Os nossos sócios, a equipa técnica e jogadores foram insultados e cuspidos pela parte dos adeptos e dirigentes do Nelas. E também pelos jogadores, com gestos, insultos e provocações ao nosso banco quando fizeram os golos. Perdi a cabeça, também, porque estávamos a ter uma arbitragem que, a 10 minutos do fim, a ganhar 4-1, com a equipa adversária com cinco faltas e nós nenhuma, pôs-nos também com cinco faltas. E o Nelas fez dois golos precedidos de irregularidades. No último lance, o Ivo é rasteirado, e o jogador do Nelas, Cláudio, que insultou a nossa claque nos golos que festejou e veio fazer isso para junto do nosso banco, vinha por ali e fiz o que toda a gente viu. Pelas atitudes dos adversários, não estou arrependido. E se isso manchasse alguma coisa, deixo a pergunta: e os árbitros o que mancham, todos os fins-de-semana, quando têm arbitragens vergonhosas contra o Feirense? Falo desta arbitragem específica. Temos árbitros excelentes, como o Eduardo Coelho, que nunca erra. Se ele tem 10 anos de futsal a não errar, eu tinha 20 a não errar, porque é que os colegas dele erram tanto? Fi-lo para proteger o meu grupo e, se ainda há alguma dúvida neste momento, o Feirense é a melhor equipa deste campeonato, pela qualidade, competência, entrega, estrutura e equipa técnica. É por isso que vamos ser campeões.

A claque tem sido uma importante aliada da equipa?

Resumo numa palavra: Fantásticos! Não há ninguém como eles. Foram connosco a todo o lado, e têm sido o 13.º jogador. Deixo uma palavra ao Braúlio (Pinho), que é o eterno Braúlio dos Civitas, para o Flávio e para todos os Civitas, que têm sido miúdos espectaculares e têm dado uma nova alma ao nosso pavilhão e a todos onde vamos. Em muitos momentos, ganhámos graças ao apoio deles.

Por falar em pavilhão, é fácil jogar na Lavandeira?

Todos sabem que não mas não vamos chorar por aquilo que ainda não temos. O presidente, Fernando Costa, confidenciou-me que os dois sonhos que tem, enquanto presidente do Feirense, são construir um pavilhão para o clube e ver o futsal na 1.ª Divisão Nacional. A secção tudo vai fazer para tentar que isso aconteça.

Acha possível o Feirense chegar lá a curto prazo?

Com todo o respeito que tenho pelo professor Carlos Queiroz, há dois tipos de projectos: o projecto Carlos Queiroz, a longo prazo, e o projecto José Mourinho, que é para ganhar na hora. Sou mais um Mourinho do futsal. É para ganhar na hora.

in: jornal Correio da Feira

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