segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Feirense dá exemplo

 












Artigo do jornalista Carlos Fontes, no jornal Correio da Feira, sobre o bom exemplo dos dirigentes do Feirense, que nomearam Nuno Manta Santos, homem da casa, como técnico principal da equipa sénior.

CANTO CURTO

Numa altura em que o futebol está ao rubro, muito por culpa de alguns incendiários que vagueiam no desporto, e a quem a comunicação social (as exceções, são mesmo exceções) dá guarida, e nestes tempos em que alguns deitam gasolina para esses incêndios, convictos que assim desviam as atenções das suas gestões ruinosas, eis que os dirigentes que superintendem o futebol do Clube Desportivo Feirense dão um grande exemplo.
Ao confirmarem como treinador principal, Nuno Manta, um dos filhos da terra, até aqui técnico-adjunto de José Mota — a sorte por vezes é madrasta, mesmo para os bons — os responsáveis pelo futebol do clube mais representativo do concelho deram um grande exemplo.

Apostar na «prata da casa» sempre (ou quase) deu bons frutos no Feirense. Recordem-se os êxitos que Henrique Nunes como jogador e treinador alcançou; e «como recordar (ou respeitar) o passado é merecer o futuro», para os mais distraídos devemos lembrar um naipe de grandes atletas que ao historial do Feirense muito acrescentaram.

Jogadores como Licínio, Jacques, Leite, Ramalho, Artur Brandão — teria sido dos mais valiosos jogadores portugueses se tivesse abraçado o profissionalismo — Cândido, António Cardoso, Artur, José Augusto, Henrique, Eduardo, Portela, Quitó, Acácio — não atingiu o nível do seu irmão, Jaime, que na década de 60 ao serviço do F.C. Porto foi dos melhores extremos do futebol nacional — Fernando Leão, Machadinho, Rufino, Pedro Martins (agora tornou-se num dos mais cobiçados técnicos portugueses) e Narciso, nados e criados em Terras de Santa Maria, não só mostraram grande valor, como serviram como poucos o Clube Desportivo Feirense.

Fizeram muito bem os dirigentes santamarianos em apostar no feirense, Nuno Manta, como fazem muito bem em apostarem, agora, em jogadores da terra, como Cris, Fabinho, Guima e Vieirinha, entre outros.

Mesmo que os resultados passem a não ser aqueles que todos os feirenses desejam — até agora têm sido excelentes (escrevo 72 horas antes da visita a Alvalade) — a aposta num treinador jovem, e da casa, é um excelente exemplo para alguns que andam no futebol apenas para se servirem…e não para o servir.

Não se estranha, portanto, que ao longo dos anos as gerências do Feirense tenham servido de exemplo a muitos clubes; como não se estranha, agora, que sejam os dirigentes dos clubes que muito prometeram, e agora vêem esfumar-se essas promessas, a «incendiarem» o futebol.

Os dirigentes feirenses estão a contrariar o ditado que diz «que santos da casa não fazem milagres»; os outros, os incendiários, apenas confirmam aquele adágio que sustenta que «chama maluco, antes que te chamem a ti».

E eles assim fazem: culpam os árbitros, convencidos que desse modo os associados e adeptos esquecem as asneiras que vão acumulando na gestão dos seus clubes.

in: jornal CORREIO DA FEIRA

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