sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A manta protetora dos fogaceiros

No distrito de Aveiro, em Santa Maria da Feira, mora uma equipa extremamente moralizada com um passado recente de resultados que tem surpreendido tudo e todos.

Os azuis da feira, que nas últimas duas temporadas já conheceram vários treinadores, têm conseguido encontrar o caminho para a estabilização e sobretudo para garantir a permanência na primeira liga. Esse caminho tem sido feito junto dos seus adeptos, mas não só. Em Santa Maria da Feira há um Manta –sim, não é uma manta mas um- que tem feito os fogaceiros acreditar que é possível fazer-se muito com pouco. Mas já lá vamos.

O Feirense é uma equipa que não tem grande tradição na primeira liga. A equipa conta com 5 participações na primeira liga, sendo que a melhor classificação na primeira liga da equipa de Santa Maria da Feira, data de 1962 com um 14º lugar alcançado. O Feirense já tinha participado na primeira liga, há não muito tempo atrás. Em 2011/2012, com Quim Machado e depois Henrique Nunes no comando da equipa, o Feirense não conseguiu evitar a descida de divisão, ficando atrás do Rio Ave a quatro pontos de distância do sonho da manutenção. A partir daí, e já na segunda divisão ,o objetivo dos fogaceiros foi o de cimentar as bases da equipa, através da formação e da contratação consciente de novos ativos, para depois voltar a pensar na subida de divisão. Depois de três temporadas em que a equipa nunca se conseguiu aproximar muito dos lugares da subida, a equipa investiu num plantel mais forte e no jovem Pepa para treinar a equipa, na temporada passada. O objetivo foi concluído com sucesso, primeiro com Pepa e depois com José Mota a garantirem a subida através de um terceiro lugar, num ano em que Rodrigo Nunes, homem que já se encontrava na estrutura do Feirense, se estreou como Presidente do clube.

Nesta temporada, a equipa acabou por mexer no plantel contratando alguns jogadores com maior experiência de primeira liga, como: Peçanha, Paulo Monteiro, Babanco, Jean Sonny, Tiago Silva, Ricardo Dias, Luis Aurélio, Pelé. A ideia consistia em juntar elementos com maior rodagem com jogadores jovens com espaço para crescer, casos de Etebo e Fabinho, por exemplo. O início da temporada até não correu mal. Apesar da dificuldade perante certas equipas, o Feirense ia conseguindo somar os seus pontos e estava a ser, a par do Chaves, uma das boas surpresas do campeonato. O pior veio depois, com a equipa fogaceira a somar nove jogos consecutivos sem vitórias.

Os fogaceiros têm se mantido unidos na luta pela manutenção
foto: CD Feirense
Foram nove jogos em que para além da equipa não ter apresentado resultados, jogou-se um mau futebol. A equipa estava desencontrada, como se de uma manta de retalhos se tratasse, os jogadores encontravam-se cansados, sem opções e a posição na tabela classificativa começava a assustar os azuis da feira. A verdade é que a direção não quis esperar muito mais, deu-se o despedimento de José Mota, um dos treinadores mais experientes da primeira liga e a aposta, recaiu em Nuno Manta Santos, um jovem que já estava na casa dos fogaceiros desde 2010, alternando as funções de técnico adjunto com as de treinador dos júniores.

A expetativa dos adeptos é que Manta Santos fosse apenas uma solução provisória até se encontrar outro homem que pudesse tomar as rédeas da equipa. Mas não, correu ao contrário. Nuno Santos, estreou-se no comando técnico do Feirense num jogo frente ao Paços, e logo com uma vitória convincente e onde se viu a equipa da Feira a praticar um bom futebol, completamente diferente daquilo que se tinha visto com José Mota. No jogo seguinte, uma tarefa complicada para o jovem técnico de 38 anos. O Feirense ia ao Dragão, para a Taça da Liga, jogar frente a um Porto que estava quase obrigado a vencer. A equipa voltou a não desiludir, os fogaceiros, mesmo enfrentando algumas dificuldades mostraram estar com o treinador e mais do que a entre-ajuda, o espírito combativo e a própria sorte, a equipa mostrava organização, mostrava um planeamento e um modelo de jogo consciente das suas virtudes e fraquezas.

A partir daí, a direção do clube anunciou que o treinador Nuno Manta iria assumir a equipa até final da temporada, sendo que o jovem tem merecido este voto de confiança. Vejamos, em nove jogos à frente da equipa do Feirense, Nuno Santos, soma quatro vitórias, quatro empates e apenas uma derrota frente ao Sporting. Quando o treinador chegou à equipa fogaceira, na 14ª jornada, o Feirense somava apenas 11 pontos e estava no 17º lugar. Volvidas oito jornadas, a equipa encontra-se em 13º lugar com 25 pontos. Números fantásticos para um treinador sem experiência na primeira liga, sem experiência nos séniores e que entrou a meio da temporada para uma equipa em que estava numa posição muito desconfortável na tabela.

Para além dos resultados, o jovem técnico colocou a equipa de Santa Maria da Feira, a praticar um futebol positivo, agradável, e que tem, inclusive, chamado mais adeptos para o Marcolino de Castro. A equipa passou a ter maior qualidade na circulação de bola, passou a querer assumir o jogo, a pressionar alto e a não deixar tanto espaço para os jogadores adversários poderem jogar. Com isto, com este futebol mais alegre e positivo, vários jogadores começaram a ganhar maior destaque, como por exemplo: Barge, que tem demonstrado muita capacidade para os momentos ofensivos na ala direita, Flávio Ramos que pode ser um bom valor na posição de defesa central, Cris Santos, um autêntico pêndulo da equipa que equilibra e define os ritmos e na frente com o grego Karamanos, com Tiago Silva que tem demonstrado muita qualidade e com Platiny, que na temporada passada tinha sido o melhor marcador da segunda liga e que parece agora, renascer aos poucos. Com a valorização dos ativos, com as contratações que se fizeram em Janeiro e agora com o apoio dos adeptos, o Feirense tem tudo para alcançar os seus objetivos.

O Feirense tem todas as condições para garantir a manutenção com alguma tranquilidade. Este Feirense tem demonstrado que a manta não é curta, e que para além de não ser curta, está unida e pronta para o combate da manutenção.

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