sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Conheça o homem que "virou" o Feirense

Jovem treinador chegou, viu e venceu. Para além do rigor e da atitude, é na mente dos jogadores que mais se foca


SUCESSO. José Mota saiu e com Nuno Manta o Feirense já fez nove jogos: ganhou quatro e perdeu apenas um

NOS JUNIORES DIZIA-SE QUE QUEM JOGASSE DO LADO DO BANCO DELE BENEFICIAVA DISSO COMO SE TIVESSE... ‘DOPING’

Um homem bastou para colocar o Feirense na rota dos bons resultados. Nuno Manta ainda é um desconhecido da maioria dos adeptos do futebol português e Record partiu à descoberta do jovem treinador. Depois de ouvir alguns jogadores que com ele trabalham ou trabalharam, e treinadores que partilharam o balneário dos fogaceiros, uma ideia ficou bem vincada: Nuno Manta é um motivador por excelência. Viciado em futebol, atento ao mais pequeno pormenor do jogo, é o lado psicológico do plantel que ataca em primeiro lugar. E foi assim que tirou a equipa dos últimos lugares…

José Mota foi despedido em Dezembro e, de repente, o Feirense começou a ganhar jogos. “Ele aferroa os jogadores, dá-nos uma força incrível. Trabalha e controla as emoções dos jogadores. Passanos vídeos motivacionais e dá-nos exemplos de grandes referências do futebol. Mas se for preciso, também vira o balneário... Quando a equipa não estava com ele voava tudo à nossa volta”, recorda Renato Andrade, antigo capitão da formação fogaceira. Nuno Manta era assim nos juniores e também o foi em 2012, quando substituiu Bruno Moura na equipa principal. “Foram dois jogos, duas vitórias. Era a estreia dele nos seniores. Passou-nos a mística do clube, disse que ninguém podia ganhar na Feira, repetiu que éramos melhores que qualquer adversário. Seguramente é o que está a fazer esta época”, afirma com convicção Jorge Gonçalves. “Defensivamente trabalha muito bem as equipas e diz-nos que, a qualquer momento, podemos ir à frente e matar o jogo. Sempre que fala aos jogadores fá-lo de forma segura e assertiva. O sucesso dele não me surpreende”, finaliza o avançado.

Comportamento proibido

Aos 38 anos, Nuno Manta soma nove jogos e perdeu apenas um, em Alvalade. O seu antigo adjunto Bruno Magno ajuda-nos a perceber um pouco melhor o que terá mudado desde a saída de José Mota. “Ele desculpa que se falhe um passe, uma recepção e até um golo de baliza aberta, mas nunca que se perca uma bola e que não se tente recuperá-la. Isso é matá-lo! Com ele, só joga quem tem exigência máxima. Defende a raça à Feirense. Os jogadores têm sempre de dar o máximo”, enumera, revelando que Nuno Manta é um apreciador do futebol sul-americano, nomeadamente do chileno. Homem da casa, também Henrique Nunes privou com o novo menino bonito da Feira: “É um grande conhecedor do treino, tem bons métodos e é muito exigente. Esta é uma das suas principais marcas. Exige o máximo quer taticamente quer na entrega dos atletas. Lutou muito para chegar aqui e torço para que faça história mantendo a equipa na 1ª Liga.” Apesar do ar sério, Nuno Manta entra na peladinhas e deixa marcas pelos... carrinhos que faz. Mas é no banco que quer vingar. Nos sub-19 ficou célebre uma frase de um atleta: “Jogar junto do banco onde ele está até parece ‘doping’, tal é a força que nos transmite.”

in: jornal Record
RICARDO VASCONCELOS

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