sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Manta fugiu da baliza para marcar golos

Antigo professor teve curta carreira como jogador mas fazer golos de penálti era com ele

A infância de Nuno Manta não foi das mais fáceis. Com os pais separados, cedo o agora treinador refugiou-se nos livros e no futebol, percebendo que seria pela sua força e empenho que subiria na vida. Licenciou-se em Educação Física e Desporto no Instituto Piaget e cedo começou a dar aulas, na Amadora. Nessa altura, já conquistava o seu espaço no Feirense.

"Veio para o clube com 18 ou 19 anos e foi meu adjunto nos sub-15. A mãe estava emigrada na África do Sul, ele vivia sozinho e perguntou se podia ir para minha casa. Claro que aceitei... Depois começou a dar aulas. Ia para a Amadora ao domingo, voltava às terças para dar treino, regressava e voltava às quintas para outro treino. Passou por muito e sofreu muito... Cresceu sozinho e talvez por isso seja uma pessoa algo fria. Mas nunca se perdeu e a prova esta à vista", recorda o amigo e antigo treinador do Feirense, Adolfo Teixeira.

Com as ideias a amadurecer rapidamente, Nuno Manta também teve uma curta e pouco marcante carreira como jogador. "Sempre jogou com os amigos e só por volta dos 16 anos foi para o Sanfins. Era guarda-redes, mas fartou-se que os colegas corressem pouco e pediu ao treinador para jogar na frente. Tornou-se um trinco incansável, já como sénior dos Amigos do Cavaco onde jogou até aos 28 anos. Tinha dois pés esquerdos [risos], mas dava tudo em campo. Ainda hoje, quando nos juntamos, se orgulha de nunca ter falhado um penálti. Fala disso muitas vezes", conta Bruno Magno, amigo de longa data e que com Nuno Manta também trabalhou nas camadas jovens do Feirense.

Tantas desilusões

Um dos maiores segredos do agora treinador é a origem da alcunha. "Entre amigos, tratamo-lo por ‘Melão’, já vinha dos tempos em que ele jogava no Sanfins e foi ficando", confirma Bruno Magno, uma informação que Record já tinha. Todos os jogadores conhecem a alcunha, mas, naturalmente por respeito, nunca a utilizam...

"O Nuno foi muitas vezes adjunto da equipa principal, mas depois voltava sempre à formação. Foi preciso um grande poder de encaixe para se sujeitar a isso. Foi duro para ele. Tem uma grande personalidade e foi aguentando", finaliza Adolfo Teixeira.

Mulheres no balneário? Os momentos mais insólitos de Nuno Manta

Curiosidades sobre o técnico dos fogaceiros

Mulheres no balneário. 
Em 2008/09, Nuno Manta estava nos sub-15 e sentiu os jogadores demasiado nervosos antes de um jogo contra o FC Porto. Na hora de mostrar o vídeo com os pontos fortes do adversário, o treinador surpreendeu-os com imagens de... belas mulheres. Os miúdos choraram de tanto rir e só depois lá passou o resumo do FC Porto. A equipa até jogou bem, mas perdeu pela margem mínima.

Um onze com... dez. 
Como sempre, pouco antes do jogos, Nuno Manta revela o onze escrevendo os nomes dos titulares. Uma vez, no quadro do balneário apenas 10 nomes foram percetíveis. O treinador explicou: "Não consegues ler? Aqui diz Dioguinho, é como tens jogado... Se queres que escreva o teu nome igual ao dos outros, mostra o jogador que és nos treinos." A resposta não podia ter sido melhor: vitória com um golaço do visado!

Sistema anti-FC Porto. 
Na época passada, nos sub-19, Nuno Manta começou a preparar o jogo contra o campeão FC Porto duas semanas antes. Em segredo, mudou o 4x3x3 para um 5x3x2 . Defender bem e contra-atacar melhor foi o segredo para o triunfo por 1-0, com golo de Marcelo Santos.

Andaime para os jogos.
 Ainda em 2015/16, Pepa não tinha o nível IV e era o adjunto Nuno Manta que aparecia na ficha de jogo como treinador dos seniores, ele que também orientava os juniores. Legalmente, não podia estar no banco dos sub-19 e lembrou-se de mandar construir um andaime mesmo ali ao lado. Bem no alto, contornou os regulamentos e esteve sempre perto dos seus jogadores, como gosta.

Estás a mandar em mim? 
Nuno Manta chegou cedo a adjunto dos seniores e tinha jogadores bem mais velhos no plantel. De poucas falas, mas assertivo nas intervenções, nem sempre as suas ordens eram acatadas à primeira. Os ‘conflitos’ fora sempre bem resolvidos...

in: Record online

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