terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Rodrigo Nunes: O homem forte do futebol que tem coração de manteiga

Com uma história de vida baseada no trabalho, desde os cinco anos a ajudar os pais “a gaspear e a forrar saltos”, Rodrigo Nunes sabe o que é passar dificuldades e que o sucesso é fruto de muita dedicação. O rigor e a honestidade são duas palavras de ordem de alguém que está sempre com “um olho nos sonhos e outro nas contas” e que levou as suas empresas e o Feirense a um patamar que só ele imaginava. De lágrima fácil, o homem forte do futebol não confirma a imagem de “durão” que lhe atribuem…

Texto Daniela Castro Soares

Fotos Albino Santos


Rodrigo Nunes descreve a sua infância como “feliz” mas não esconde “as necessidades e limitações” que ela comportou. “Antigamente, eu comia muito arroz com carne, só depois de casar é que comecei a comer carne com arroz”, brinca. Desde os cinco anos de idade, começou a ajudar os pais, sapateiro e gaspeadeira, nos trabalhos extra que traziam para casa. “Trabalhavam em empresas aqui da vila, mas levavam trabalho para fazer à noite em casa, para financeiramente ficarem mais estáveis. Eu, depois da escola, ajudava, a gaspear e a forrar saltos, às vezes até à meia-noite, e no outro dia, às 8h00, tinha de sair para a escola”, recorda.

Era difícil, mas Rodrigo “nunca se queixava”. “Não me recordo de qualquer tristeza. É evidente que não convivia tanto com os meus amigos, eles saíam para se divertir e eu não podia, ia para casa trabalhar”, afirma. Mas “conseguia conciliar” tudo até porque “fazia parte da vida” que levavam. “Toda a família trabalhava, fazia parte da vida de todos e eu não conhecia outro meio, por isso vivia feliz”, garante, até porque cedo percebeu que trabalhar no duro dava frutos. “Tínhamos coisas que outros não tinham. Fomos os primeiros no bairro a ter televisão, o meu pai foi dos primeiros a ter carro, casa própria, e tudo isso motivava-me a trabalhar mais. Às vezes as pessoas questionavam-se como era possível… era possível porque era fruto de muito trabalho”, explica.

E falando de como a cultura do trabalho orientou a sua vida até hoje, vêm as primeiras lágrimas aos olhos. “Já sabia que isto ia acontecer…”, diz, pausando um momento. “Foi esse trabalho com os meus pais e no mundo do calçado que me fez ter hoje a empresa que tenho e ter sido empresário aos 27 anos”, refere, enaltecendo o valor da experiência. “Os conhecimentos que adquiri naquela altura, hoje permitem-me ajudar os meus clientes a resolver problemas na concepção do sapato”, afirma Rodrigo, frisando que o rigor é algo de que não abdica. “Desde criança, bebi essa forma de estar dos meus pais, que eram pessoas muito rigorosas, que gostavam de fazer um trabalho perfeito. Isso foi-me incutido e reconheço que sou um perfeccionista e que às vezes não é fácil trabalhar comigo, porque aquilo que exijo a mim mesmo, exijo a todos os que me rodeiam”, frisa.

A Matemática da vida

Nascido e criado no Cavaco, começou por viver no bairro da Misericórdia até o pai construir casa na Estrada Velha, passando todo o seu tempo naquela zona. “A minha escola era aqui perto do Estádio, ao lado da antiga Grafonola, e o liceu era onde está aquele prédio em frente ao Continente. Ia e vinha todos os dias a pé, fizesse sol ou chuva”, conta. Bom aluno, tinha especial queda para a História e a Matemática. “Adorava essas duas disciplinas. Já as Línguas, eram o meu maior obstáculo. O único exame que fiz em toda a minha vida (nessa altura se tivéssemos boas notas não precisávamos de fazer exame) foi a Português, e não correu nada bem”, diz, entre risos.

Não tinha muito tempo para sair com os amigos, mas, garante, não perdeu nada, viveu a juventude “à sua maneira”. “Havia tempo para brincar, não havia era o tempo que os outros tinham. Ao domingo, juntávamo-nos na rua e jogávamos futebol ou outros desportos. Ia às vezes ao cinema, o Cineteatro António Lamoso foi inaugurado por essa altura, e a partir de uma determinada idade (16/18 anos) comecei a sair com os meus amigos, principalmente à sexta-feira à noite, que era o meu dia de folga”, diz.

Chegado ao 7.º ano de então (actual 12.º ano), não prosseguiu os estudos porque queria continuar a ajudar os pais, e aproveitando a vocação para a Matemática, foi trabalhar como empregado de escritório nos Irmãos Cavaco. Ainda nos seus 20 anos, ficou responsável pela contabilidade de 18 empresas. “Por estar nos Irmãos Cavaco, e pelo meu hábito de não trabalhar apenas as 8h por dia, comecei a contactar com muitas pessoas. Em 1983/4, tornou-se obrigatório as empresas terem escrita organizada e os clientes procuraram-me para os ajudar. Chegou uma altura em que eu fazia 18 escritas por mês”, conta. Um reconhecimento do seu profissionalismo. “As pessoas reconhecem-me pelo rigor, pela forma de viver as coisas na base da Matemática, das contas darem certo no fim”, salienta.

Bichinho do calçado venceu

Com a carreira a ir de vento em popa, toma a decisão de se lançar por conta própria. “Afastei-me durante sete anos do mundo do calçado, mas o bichinho nunca me largou, foi sempre uma indústria que me fascinou, e quando tive oportunidade de criar a minha empresa, teria de ser ligada aos sapatos. Não faço sapatos, mas faço todo o tipo de componentes que o calçado necessita”, refere. A saída da empresa não foi, contudo, repentina. “Foi difícil porque nem o Sr. António nem o Sr. Eduardo [Cavaco] queriam que eu saísse já que tinha muita responsabilidade dentro da empresa. Custou, andámos meio ano no ‘sai, não sai’, até que eles, compreendendo a minha posição e sabendo que eu era um empreendedor, deixaram-me seguir o meu caminho”, diz.

Desde então, já foi proprietário de 8 empresas, em ramos tão variados como os imóveis ou a agricultura, tendo chegado a trabalhar em Marrocos. “Foi uma experiência, mas é um mercado complicado. É melhor fazermos cá e exportarmos”, refere. Agora, tem quatro empresas a seu cargo, três na área do calçado e uma nas energias renováveis. “Há momentos para tudo. Aos 40 anos, julgava que o mundo estava por minha conta. Aos 56, já estou mais comedido, estou a tentar passar as empresas para os meus filhos, estão a trabalhar comigo na Inducorte, e aos poucos vou deixando uma ou outra empresa para ficar com as mais importantes”, revela.

Um património alcançado graças a uma liderança conquistada e não imposta. “[É preciso] ser rigoroso e ser o exemplo. No início, eu era o primeiro a chegar e o último a sair. Depois, devemos ter objectivos e não limitar esses objectivos, sonhos e ambição, incutindo isso nos colaboradores. Nunca impor liderança; temos de saber estar e incutir a liderança através dessa forma de estar e, assim, naturalmente, as pessoas olham para o Rodrigo como um líder. Foi isso que senti durante todos estes anos, quer na empresa, quer no Feirense”, afirma.

Feirense, um ‘amor’ de família

E do CDFeirense se falou então, e muito, não fosse esta mais do que uma segunda casa para Rodrigo. “Tenho muitos familiares que foram jogadores, treinadores, presidentes, e desde que me conheço acompanhei o Feirense”, diz, naquele que foi um envolvimento natural no clube. “Vamos começando a falar, a conviver, e em 1989 sou convidado pelo meu Tio Luís, que era o presidente, para ser o tesoureiro do Feirense. Fui fazer contas e preocupar-me com o débil ‘haver’ do Feirense, com as contas rigorosas que sempre foram o apanágio desta casa”, recorda. Mas foi mais tarde, a convite de Lércio Pinto, quando ficou responsável pelas camadas jovens, que realmente se entregou ao clube. “Foram dois anos extraordinários em que vivi – de segunda a domingo, várias horas por dias – a formação do Feirense, o crescimento dos atletas que chegavam com 10 anos e saíam, alguns, com 18, outros continuam cá, como o Cris e o Barge… Foi o princípio deste amor ao clube”, diz.

Em 2001, pela mão de uma pessoa que “admira bastante”, Artur Brandão, sobe à presidência do CDF. “Era um desafio enorme. Se perguntasse na altura se estava preparado, dizia-lhe que não. Se me perguntasse que objectivos tinha para o Feirense, não tinha 1/10 daquilo que se fez, era fazer apenas o que os outros faziam”, diz Rodrigo, lembrando que “na história do CDF nunca um presidente esteve mais do que dois anos seguidos”. “Percebe-se a dificuldade que era ser presidente de um clube como o Feirense. Quando aceitei, pensava ‘vou ficar dois anos e tentar deixar a minha marca’, mas depois damos connosco envolvidos de tal maneira, com tantos objectivos, que passam 18 anos”, afirma, explicando que “não é uma questão de preparação, é uma questão de amor, de querer, de reunir as pessoas certas e de incutir nelas a vontade de fazer crescer o Feirense”. “É esse mérito que posso eventualmente ter. Fui presidente do CDF com 40 anos, já tinha uma experiência de 13 numa empresa própria, com vários trabalhadores ao meu encargo, e transportei isso para o CDF, o que fez com que tivéssemos o sucesso que tivemos”, afirma.

É com uma “satisfação enorme que olha para trás e compara o Feirense de 1999 com o Feirense de 2017”. “Cheguei ao CDF e faltava tudo. Tínhamos um campo de terra batida, balneários onde caberiam 20 pessoas e passavam por lá 200, tudo avariado, chuveiros partidos. O meu filho mais velho jogava nas camadas jovens, no Verão chegava a casa cheio de pó e no Inverno tinha de tirar a roupa cá fora, porque não podia entrar em casa carregado de lama. Eu via isso nos meus filhos e nos filhos dos outros, e então disse que ‘só me sentiria realizado quando acabasse com o pó e a lama no Feirense’”, lembra, e aí começou o trabalho. “As coisas correram bem, começámos a ter algumas vitórias, a atingir determinados objectivos, e depois as infraestruturas que o Feirense não tinha foram-se criando”, conta.

Críticas? Venham elas…

Um trabalho não alheio a críticas. “Isso sinceramente ainda me dava mais força. Quando apresentei o projecto, na Biblioteca Municipal, convidei as forças vivas da cidade. Hoje olhamos para o Complexo Feirense e para este Estádio [Marcolino de Castro] e parece-nos natural, mas temos de andar para trás 20 anos, não havia nada disto, e sempre se passou a mensagem de que era impossível o Feirense, com a dimensão que tinha, fazer fosse o que fosse. Eu, apresentar uma obra, na opinião das pessoas, megalómana, dava origem a que muita gente, ao ver a nossa maqueta, fizesse chacota, mas eu sabia que era possível, e hoje a prova está aí”, salienta, garantindo que as críticas “fizeram-no lutar ainda mais para provar que tinha razão”.

Construiu-se “o mais urgente, acabou-se com o pó e a lama, e ficou um espaço para 400 miúdos tomarem banho e equiparem-se ao mesmo tempo”. “A promessa que eu tinha feito concretizou-se e não se conseguiu fazer mais porque estávamos com um olho nos sonhos e outro nas contas. Não passámos do que era possível passar, fomos formando atletas e criando condições para podermos agora com um produto da nossa formação – Rafa – termos uma receita que nos poderá permitir finalmente acabar o Complexo Desportivo, que é a principal razão porque ainda estou aqui”, adianta Rodrigo, para quem as contas estarão sempre em primeiro lugar. “Desportivamente, tivemos três subidas, duas delas à 1.ª Divisão, e uma descida da 1.ª Divisão à 2.ª Liga, uma opção que eu tive de tomar. Sei que sócios não queriam, mas eu tinha duas opções: ou fazia a remodelação do Estádio, que foi o que se fez e ficava para sempre, ou apostava na equipa de futebol. Poderia fazer as duas coisas mas o Feirense ficaria com uma dívida que hoje seria incontornável”, diz Rodrigo, que ainda tentou arranjar ajuda “extra-Feirense” mas sem sucesso. “Cheguei a falar com pessoas, mas elas puseram-se de fora e eu não iria criar um problema ao Feirense dificilmente resolúvel nos anos seguintes. Sempre disse ‘se descermos, descemos com dignidade e sem dívidas’, e foi isso que aconteceu”.

São já duas décadas a encabeçar o maior clube do Concelho e “os amigos acham que nunca vai sair”. “Sempre fui conciliando bem as coisas, reuni à minha volta gente de qualidade e a minha família gostava toda de futebol, então juntava-se o útil ao agradável”, refere, lembrando as amizades que fez no mundo do futebol. “Tenho muitos amigos por causa do futebol, tenho uma relação fantástica com todos os presidentes dos clubes profissionais, todos os jogadores que passaram pelo Feirense e que hoje estão noutros clubes. Sou solicitado para ir a encontros, jantares, recepções e, claro, a minha vida pessoal confunde-se com a vida do futebol”, admite. Mesmo quando está numa reunião de negócios da empresa, é inevitável falar do CDF. “Em todas as reuniões, os primeiros 5/10min são para falar do Feirense, descontrai-se logo”, comenta Rodrigo, revelando que “o futebol é sempre uma curiosidade” e as pessoas lhe perguntam “como é o Pinto da Costa, o Filipe Vieira, o Bruno de Carvalho”.

Dois filhos mais um, uma ‘prenda’ do Feirense

E a somar a tudo isto, o Feirense deu-lhe algo muito especial, um terceiro filho. “Agora é que eu vou chorar”, diz, comentando que a imagem que passa para as pessoas é que ele é um durão”. “Como vê, não é nada assim”, afirma, contando a história do Fernando. “Eu tenho dois filhos, o Miguel, de 33 anos, e o Pedro, de 23 anos, e tenho o Fernando, que não é filho de sangue mas é como se fosse”. Veio para o Feirense com 13/14 anos e era colega do Miguel na equipa. Tornaram-se grandes amigos e Fernando passou a ser visita habitual da casa de Rodrigo. “Ele era de Vila Real, dormia nuns quartos alugados que tínhamos para os jogadores que não eram da Feira e, um dia, o Miguel falou-me na possibilidade de o Fernando ir lá para casa. A família achou que não haveria problema e ele veio”.

Rodrigo foi acarinhando este “bom rapaz, aluno fantástico, cujos pais tinham grandes dificuldades financeiras”. “Foi um bom exemplo para os meus filhos. Eu sempre tive uma vida acima da média e às vezes passa para os filhos que ‘é tudo facilidades’. Embora eu tentasse fazê-los perceber como a vida é, os filhos acham que os pais complicam… mas então viam alguém da idade deles a dizer… aquilo que o pai lhes dizia… sobre as dificuldades da vida”, conta Rodrigo, a custo, a emoção embarga-lhes as palavras. “Às vezes, estávamos a jantar e os meus filhos diziam ‘se tivermos de ir para pedreiros, vamos’. E depois ouviam um da idade deles dizer ‘vocês dizem isso porque nunca tiveram calos nas mãos como eu tive quando ajudava o meu pai a acartar pedras para pôr na parede’. Era um silêncio tal…”, lembra, sobre lições difíceis de transmitir.

Chegado ao 12.º ano, Fernando começou a baixar as notas e um dia Rodrigo encontrou-o a chorar. “Disse-me que não valia a pena estar a perder tempo porque por muito boas notas que tirasse, chegava ao fim do ano e teria de ir trabalhar porque os pais não tinham condições para ele ir para a faculdade”, revela. As lágrimas teimavam em cair e, de olhos vermelhos, fixando o horizonte, apenas disse: “Escusado será dizer o que se passou nesse dia e as promessas que foram feitas…”. Enquanto Rodrigo pudesse, Fernando continuaria a estudar. “Hoje é nutricionista, acabou o curso que quis, agora já tem vida independente, mas continua a ser uma pessoa da casa”, refere.

Filho ensinou-o a ser mais ponderado

Com o Feirense no sangue, era inevitável que os filhos passassem pelo clube. “O Pedro não queria muito jogar futebol. Um dia trouxe-o ao Feirense, eu já era presidente, ele tinha 6 anos, chegou a casa e disse que não ia mais. Tentei perceber porquê. Na equipa em que o puseram, perdeu. Como não gosta de perder, é como o pai – (ri-se) – não quis ir mais”. A birra passou e Pedro acabaria por voltar ao futebol que foi, durante algum tempo, a sua vida. “[Os meus filhos] até fizeram umas campanhas engraçadas no Feirense e foram colegas de grandes jogadores. Mas se calhar por algum facilitismo, ou porque nunca precisaram de lutar pela vida como o pai e como esses jogadores, foram-se afastando do futebol”, explica.

“Tudo bem”, diz Rodrigo, até porque hoje é mais importante trabalharem no negócio da família. “O mais velho formou-se em engenharia electrotécnica e agora está a trabalhar comigo. O mais novo jogou nos clubes das redondezas, mas neste momento está na empresa. O futebol já não é uma prioridade”, afirma Rodrigo, adiantando, contudo, que Pedro gostaria de “tirar o curso de treinador”. “E acho que tem jeito para isso, é uma pessoa bastante informada. Quando me dedicava às contratações, perguntava-lhe sobre os jogadores e ele sabia sempre. Continua a viver e a gostar de futebol, mas primeiro estão as empresas e é ali que tem de concentrar o seu tempo”, sublinha.

Rodrigo ensinou-lhes sobre a vida, mas também aprendeu com eles. “O meu filho mais velho [ensinou-me] a ser mais tranquilo. Eu costumo dizer que se pudesse escolher o meu feitio, escolhia o do meu filho mais velho, que é tal e qual o do meu pai. São pessoas calmas, alegres, que tentam sempre minimizar os problemas. O meu pai nunca ganhou mais de 80 contos por mês e era o homem mais feliz do mundo. E os meus tios, com empresas, a ganhar muito mais, estavam sempre a discutir uns com os outros”, refere.

100 anos de CDF celebrados a preceito

Rodrigo adora passar tempo com a neta, Maria, tem na sua lista de desejos uma viagem à Tailândia e, de vez em quando, cozinha uns jantares para os colegas do CDF. “Tenho a mania que sou cozinheiro, faço uma canja de cherne que é uma coisa divinal”, garante. Mas prova de que a sua vida é, muito, o Feirense, é que à pergunta “O que falta cumprir?”, responde automaticamente sobre o clube. “Adoraria acabar a obra que iniciei. Estamos a preparar um projecto que, acredito, irão voltar a chamar megalómano de ocupação de todo o espaço do Complexo. Queremos acabar o que estava previsto há 15 anos, mas incluir um pavilhão, um restaurante de apoio, um pequeno tanque para treinos dos nossos nadadores, um circuito de manutenção, e aproveitar a proposta da Câmara para construção de uma pista de atletismo em Sanfins”, enumera, explicando que “o Complexo está em linha recta, a cerca de 800m, [da pista] e pode envolver-se todo aquele espaço numa grande zona de lazer e desportiva”, considera. “É esse o projecto que estamos a pôr no papel para, junto das forças vivas da cidade, voltar a fazer o que fiz há 19 anos, esperando que a aceitação seja diferente, porque hoje já não temos nada a provar”, salienta.

O próximo ano, 2018, será histórico para o Feirense. “Vamos fazer 100 anos e teremos grandes momentos de festejo, desde 1 de Janeiro até 31 de Dezembro”, avança. No plano de comemorações, estão a 17.ª gala, que terá lugar no Europarque, com 5000 pessoas “ligadas ao Feirense ao longo dos seus 100 anos”; um “grande espectáculo com nomes internacionalmente conhecidos”; um monumento que “represente e perpetue o clube em toda a sua dimensão”; e o lançamento de um livro do Centenário com “as histórias das pessoas que passaram pelo Feirense”. “O desafio que lancei aos escritores foi, em vez de uma história cronológica, contar, desde 1918 até 2018, as histórias de quem por aqui passou”, diz Rodrigo.

Para concretizar tudo isto, ficará mais um mandato no CDF. “O nosso mandato termina agora em Junho e é nossa intenção ficarmos mais dois anos para acabarmos a obra começada, comemorarmos o Centenário; e depois, apesar de não ter influência directa com a equipa de futebol, espero que a equipa se mantenha até 2019 na Primeira Liga para que todos estes objectivos e sonhos sejam mais fáceis de concretizar”, remata.



Nome Rodrigo Nunes da Silva Abelha
Nascimento Santa Maria da Feira, 14 de Dezembro de 1960
Idade 56 anos
Profissão Empresário
Clube Feirense



Uma Viagem Tailândia

Um Som Voz da minha neta

Uma Cor Azul

Um Cheiro Rosas

Uma Música A Pedra Filosofal

Um Prato Cabrito assado ou canja de cherne feitos por mim

Um Desporto Futebol

Um Animal Cão

Um Objecto Sapato

O que o motiva?
A vida.

O que o preocupa?
O futuro.

Naqueles dias em que tudo parece correr mal, qual é o seu refúgio?
A sala de minha casa a olhar para o mar.

Do que se arrepende?
Nada.

O que mais gosta de fazer?
Brincar com a minha neta.

O que menos gosta de fazer?
Discutir com os meus filhos.

Se pudesse mudar uma coisa em si, o que mudava?
A imagem de ‘durão’ que tenho.

Não sai de casa sem…
As chaves de casa.

Quais os seus vícios?
Não tenho.

O que para si é insuportável?
As constantes guerras no mundo.

A sua palavra favorita é…
Maria, é o nome da minha mãe e da minha neta.

Qual a figura da história com que mais se identifica?
D. Afonso Henriques e D. Henrique são dois expoentes máximos da História portuguesa.

Quem são os seus heróis da vida real?
Não tenho heróis, mas o meu pai é uma referência e, no futebol, o Eng. Brandão e o Pinto da Costa, apesar de não ser portista.

Que qualidade mais aprecia num homem?
Frontalidade.

Que qualidade mais aprecia numa mulher?
Honestidade.

Como é para si um dia perfeito?
Um dia de sol sem muito para fazer com as pessoas de quem gosto.

Que conselho lhe deram que nunca esqueceu?
Ser responsável pelos nossos actos.

Se pudesse voltar atrás, a que ano regressaria?
2001, quando me tornei presidente do Feirense.

O seu lema de vida é…
Rigor, honestidade, exigência.

O que é urgente o mundo perceber?
Temos de cultivar a paz e a gratidão entre as pessoas.

in: jornal CORREIO DA FEIRA

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