sexta-feira, 3 de março de 2017

«Kostas Mitroglou ensinou-me a ser melhor ponta de lança»

É avançado, grego e trem vários golos marcados na Liga. Não, não se trata de Kostas Mitroglou, do Benfica, mas sim de Anastasios Karamanos, ponta de lança do Feirense. Já foram companheiros de equipa e adversários, condição que repetem amanhã, num duelo que o agora fogaceiro já venceu, com um golo seu...

Entrevista de Pedro Barros 


Quem, na sua perspectiva, é o melhor avançado grego a competir na liga portuguesa? Anastasios Karamanos ou Kostas Mitroglou?
- Kostas Mitroglou. Sem dúvida... Sei, perfeitamente, qual o meu lugar.

Porquê? Porque não Anastasios Karamanos?...
- Ele é melhor... Não é apenas um ponta de lança de topo. É o melhor entre os avançados gregos. É uma sorte a selecção da Grécia poder contar com ele. Vai continuar assim e ajudar muito o Benfica. E a selecção, claro. Ele está num momento sensacional.

Julga poder atingir esse patamar de qualidade?
- No futebol tem-se sonhos. Nunca parar de trabalhar é importante, mas sinto que nunca serei melhor que ele. Fica a sensação de representarmos muito bem a Grécia na Liga portuguesa. Já é muito bom. Já ficarei feliz se um dia jogar na Liga Europa ou Champions.

Quais as principais diferenças entre um e outro?
- São bastantes e a principal é que ele nasceu com o taelnto0 de matador. Não se encontra facilmente, nem é uma questão de trabalho. Está com ele quando coloca a bola no fundo da baliza ou se movimenta na área. Tem um feeling especial pelo golo. 

Falou com Mitroglou antes de aceitar o desafio  de vir jogar para Portugal?
- Sim. Foi uma boa conversa. Disse-me que a Liga era muito boa, com equipas de grande nível e outras a darem bastante luta e dificultarem a acção dos principais clubes. Quer era uma prova imprevisível na luta pelo titulo, por lugares europeus e pela permanência. Ele disse-me que se marcasse golos, os melhores clubes de Portugal, e não só, iriam estar atentos ao meu desempenho e que poderia dar um salto significativo na carreira.

Continua a falar com ele?
 - Sim, claro. Mas infelizmente os 300 quilómetros de distancia entre a Feira e Lisboa não ajudam. Não o vejo com a frequência que desejava. Na Grécia convivia bastante com ele quando éramos colegas de equipa. É uma pessoa cool. Aqui, ficamo-nos por algumas conversas por telemóvel. Vou ficar muito feliz por o rever quando nos defrontarmos.

Alguma vez recebeu conselhos para melhorar as suas qualidades na área?
- Quando eram mais jovem, no Atromitos, nos exercícios de finalização, perguntava-lhe com muita frequência qual a melhor localização para colocar a bola, como e deveria rematar com o pé esquerdo ou direito, entre outras coisas... Ele era muito simples na ajuda: dizia-me que não interessa como rematar, o importante é rematar e pensar que se vai marcar. Há que colocar confiança na bola. Coisas de avançados. Ensinou-me a ser melhor.

Está com a aposta no Feirense e no campeonato português?
- Absolutamente! Era um sonho trabalhar e viver fora da Grécia. Quando surgiu a oferta do Feirense, não pensei muito. Queria testar-me fora da minha zona de conforto. Estou mesmo feliz, encontrei muita gente que me ajudou, desde o inicio. Retribuo o melhor que posso, estou confiante na equipa, tenho a confiança do grupo, dos jogadores e do staff. Para um jogador, isso é o mais importante, principalmente para quem chega pela primeira vez de outro país.

IDA E VOLTA  A LONDRES NUM DIA PELO... FULHAM

Em Janeiro último surgiu a possibilidade de se mudar para ao Fulham. O que falhou?
- Sim... Foi uma viagem de um dia a Londres. Foi uma grande oportunidade para mim e para o clube, mas não avançou., exactamente porquê, não sei. Faz parte do passado. A minha vida está aqui, quero ajudar o Feirense. Temos um objectivo de permanência a atingir. Agora, e até final da época, isso é o mais importante.

Acredita que foi o destino que o impediu de deixar o Feirense nesse momento?
- Talvez... Já me disseram isso. Não acredito muito nessas coisas, mas se calhar é mesmo para ficar no Feirense. Acreditem que regressei com um sorriso, fiquei satisfeito por reencontrar os meus companheiros no balneário e fico contente por jogar nesta equipa.

O que lhe disseram os seus companheiros de equipa?
- Por acaso foi um momento tremendamente especial. Foi a primeira vez que me aconteceu isto e posso referi-lo com toda a honestidade: no meu intimo, fiquei algo triste por deixar o Feirense e quando voltei as manifestações de alegria no balneário forma extraordinárias. Não estava à espera! Pensei mesmo: estes tipos gostam mesmo de mim... Nem nos clubes gregos por onde passei senti este carinho. Foi a primeira vez. Celebraram no balneário!!! Foi incrível. Por isso, sinto necessidade de dar mais ainda e ser mais bem sucedido no clube, por estes companheiros.

O que encontrou de mais surpreendente em Portugal?
- Não estava à espera que me sentisse tão cansado após um jogo. Ficamos sobre grande tensão... Na Grécia não existe tanta pressão sobre o jogador. O que não deixa de ser muito bom, pois é acompanhado do prazer de jogar. Fica-se com a sensação de que se fez um bom trabalho, que é o mais importante, independentemente de se ganhar ou não.

E o que lhe pareceu mais estranho?
- Quando estou a andar a pé pelas ruas, nas passadeiras os carros param. Quando me aconteceu pela primeira vez pensei... O que se está a passar? Que coisa estranha... É que isto não acontece na Grécia. Uma vez, até, um carro que vinha bem embalado e travou a fundo. Eu passei e o condutor ainda me pediu desculpa... Para mim é do mais estranho que pode acontecer, mas já me habituei.

META INDIVIDUAL: 10 GOLOS NA LIGA

Leva cinco golos na Liga, o que espera do resto da campanha no Feirense?
- A minha missão e compromisso é ajudar o Feirense a permanecer na Liga. Depois disso, há espaço para a valorização de todos os jogadores. Todos têm a ganhar. Como avançado é minha obrigação ajudar a equipa com golos, aproveitando o trabalho do conjunto. Vamos tentar ser felizes até ao final da temporada.

O que não o impede de traçar um objectivo individual de golos...
- Pretendo marcar 10 golos na Liga. Seria bom para mim e para o clube. À margem disso, não assumo grandes sonhos. Vivo o presente. Se cumprir este objectivo já é muito bom.

Pretende entrar na história do clube? Sabe que se o Feirense alcançar a permanência acontece pela primeira vez...
-  Quando sucedeu a mudança de treinador foi um período de reflexão, analisámos situações tácticas e o contributo de cada jogador. O mais importante é o trabalho de equipa, essa é a mensagem chave. Quando se joga com e para os companheiros, quando se luta mais, consegue-se alcançar o que se quiser.

Ganhar ao Benfica como venceu o Olympiakos
Benfica no horizonte e atenção redobrada. «Vai ser um jogo realmente complicado», antevê Karamanos o jogo de amanhã, fundamentando esta ideia com a perspectiva de o adversário se ver pressionado «na luta pelo titulo».

Do outro lado estará o Feirense e um conjunto de jogadores «muito motivado por saber que um exíto poderá dar um impulso importante às carreiras», além de poderem obter «benefícios importantes para o clube», que trilha o caminho da permanência.

Entretanto, o ponta de lança grego recupera memoria de batalhas semelhantes e não teve dificuldades em lembrar de um triunfo do Atrómitos, no qual jogava, sobre o Olympiakos, no qual militava Mitroglou, por 1-0. 

«Marquei o golo do triunfo. Quem me dera poder repetir esse desfecho. Foi fantástico, é mesmo indescritível a sensação desse tipo de momentos. É bom marcar golos, contudo frente às principais equipas a satisfação é muito maior», desvenda Karamanos.

De gestor para treinador
Os livros acompanham Karamanos durante algum tempo. «Principalmente numa altura em que sofri algumas lesões que quase hipotecavam a carreira. Era bom estudante.» O curso de Gestão era uma prioridade que, entretanto, passou para o plano secundário. E para o futuro? O que irá fazer quando terminar a carreira de futebolista? «Acho que quero ser treinador. Mas ainda é cedo para pensar muito nisso», revela o ponta de lança grego.

Agente e amigo
Anastasios Karamanos chegou a Portugal através do mesmo agente de Mitroglou, Ulisses Santos. «Foi-me apresentado ainda estava eu na Grécia. Mais do que meu representante é meu amigo. É verdadeiro, nunca me escondeu nada. Conversamos quase diariamente e também me ajudou imenso na minha adaptação», elogia o avançado do Feirense.

Saudades da família
Fala da família de voz embargada. «É do que sinto mais falta», sustenta o avançado grego. «Estou demasiado longe para uma escapadinha a casa num fim de semana, pois de resto tenho junto de mim tudo o que é mais importante», conclui Anastasios Karamanos.

BI
Nome completo
- Anastasios Karamanos

Data de nascimento
- 21 de setembro de 1990 (26 anos)

Naturalidade
- Aspropyrgos (Grécia)

Peso
- 80 quilos

Altura
- 1,86 metros

Posição
- Avançado

Percurso
- PAE Aspropyrgos, Asteras Tripolis, Atrómitos, Panionios e Feirense

in: jornal A BOLA

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