quinta-feira, 2 de março de 2017

Rafa Silva: o regresso do filho pacato

A deslocação do Benfica a Santa Maria da Feira talvez não diga nada de muito particular a boa parte dos jogadores do plantel encarnado, mas há um jogador que irá regressar no sábado a um relvado que bem conhece. Falamos de Rafa Silva, reforço de peso dos encarnados para a época 2016/17, que antes de brilhar em Braga despontou com a camisola do Feirense, aos 19 anos.


«A nível de treino ainda era uma pessoa com pouca maturidade, era preciso andar a picá-lo»
Jorge Gonçalves

O zerozero aproveitou a ocasião para conversar com Jorge Gonçalves, avançado de 33 anos do Salgueiros que partilhou o balneário com Rafa em Santa Maria da Feira e que recorda um rapaz «muito pacato», até «introvertido», mas com uma qualidade técnica que já então fazia prever um salto para clubes de outra dimensão.

«A verdade é que, tendo em conta as suas qualidades e as suas características, era um bocadinho fácil prever um futuro risonho para ele. É óbvio que isso depois depende de muitos fatores, mas penso que o fator principal vinha da parte dele e era conseguido treino após treino», recordou o experiente avançado em conversa com o nosso jornal.

«Foi sempre alguém que, para além das qualidades que tinha, sempre se aplicou bastante, e a verdade é que, ano após ano, há muita gente ligada aos clubes que me liga a perguntar sobre jogadores que se destacam e o mesmo aconteceu na altura com o Rafa. Lembro-me que, na altura, pelo menos dois clubes me ligaram a perguntar como é que ele era, se tinha realmente potencial, e eu sempre disse que era um jogador para mais tarde representar um dos grandes. Isso veio a acontecer e fico feliz por ele, mas facilmente deu para perceber que seria uma mais-valia».

Magia nos pés, tranquilidade na face

Com apenas 19 anos, Rafa Silva assumiu papel de destaque na equipa principal do Feirense e desde logo se via o tipo de jogador que continua a ser.

«Sempre foi o que aparenta ser neste momento. Já na altura era bastante calmo. Tudo bem que jogava na II Liga, mas era o seu primeiro ano como sénior. Era bastante calmo, encarava os jogos todos com bastante naturalidade. Era muito aplicado a nível de jogo. A nível de treino, ainda era uma pessoa com pouca maturidade, era preciso andar a picá-lo, como se costuma dizer, para exigir sempre mais dele, porque sentíamos que da parte dele poderiam vir coisas boas. Mas em termos de jogo sempre se demonstrou muito calmo. A nível de balneário era bastante introvertido, acredito que ainda assim o seja, acaba por ser a personalidade dele. Mas sem sombra de dúvida que se via que era alguém que podia trazer algo de muito bom ao futebol».

«Toda a gente o tratava bastante bem», garantiu o antigo colega de equipa de Rafa. «A personalidade dele era muito vincada por ser muito pacato, sossegado, introvertido. Mesmo com os colegas da idade dele era bastante tranquilo, embora se soltasse um pouco mais».

A tranquilidade continua a ser uma das características mais vincadas na personalidade do criativo, agora com 23 anos, e para Jorge Gonçalves isso ajudou o ex-Braga a ultrapassar as dificuldades iniciais após a chegada à Luz. Depois de ter assinado pelo Benfica no fecho do mercado e com o peso dos 16 milhões da transferência, Rafa lesionou-se no primeiro jogo de águia ao peito. Uma situação negativa na qual a personalidade do jogador acabou por desempenhar papel essencial.

«Disse exatamente isso a colegas que levantaram a hipótese de ele não aguentar a pressão. Sinceramente, da parte dele, não vejo essa hipótese. Ele sempre demonstrou ser muito calmo, às vezes até tranquilo demais. Acho que a maturidade dele na forma como encara os jogos e o que tem pela frente o ajuda bastante. Ser assim ajudou-o bastante a lidar com o facto de se ter lesionado logo no primeiro jogo e de a recuperação ser um pouco lenta», salientou.
Ainda falta instinto de matador

Rafa Silva parece já ter conquistado boa parte dos adeptos benfiquistas com a sua qualidade técnica, mas vai demonstrando ainda uma lacuna no processo ofensivo: a conclusão dos lances. Segundo Jorge Gonçalves, isto é algo que há muito se verifica, mas não compromete a qualidade de Rafa enquanto jogador.

«Sempre foi um jogador que criava muitos lances de golo e realmente teve sempre alguma falta de eficácia tendo em conta o número de oportunidades que conseguia criar. Tem melhorado, é óbvio que continua com algum défice nesse aspeto tendo em conta as oportunidades, se calhar podia ter um maior aproveitamento, mas isso também faz parte do crescimento. Se formos a ver, em muitos dos lances em que o Rafa está a finalizar, está a fazer tudo muito rápido. Dificilmente tem lances só de encostar, faz tudo em corrida, faz tudo muito rápido e isso pode criar algumas dificuldades na finalização. Mas, tendo em conta tudo o resto, penso que neste momento é um jogador bastante completo», analisou.

De águia ao peito, Rafa Silva tem andado por zonas mais interiores do terreno, ao contrário da passagem pelo SC Braga, nas quais atuava mais frequentemente como extremo. E neste aspeto, Jorge Gonçalves aprova a opção de Rui Vitória.

«Sinceramente, a minha opinião é de que jogar solto no meio é mais benéfico para ele. Penso que a formação dele foi quase toda nessa posição, depois no Feirense acabou por ser algumas vezes adaptado a extremo, mas mesmo assim fez muitos jogos como médio interior. Penso que, a nível de rentabilidade para ele, uma vez que é um jogador rápido, forte na transição, que acaba por ser um jogador que ajuda a defender, tê-lo a jogar no meio é o mais benéfico para ele e para o Benfica».

Amigos amigos, jogos à parte

Foram 47 jogos de Rafa Silva na equipa principal do Feirense, com 11 golos marcados. Números suficientes para justificar a boa imagem que o jovem avançado deixou em Santa Maria da Feira, mas que não irá influenciar a abordagem de Rafa à partida.

«É sempre um jogo especial para ele, o que é normal quando os atletas defrontam enquanto adversários clubes que representaram. É certamente um jogo especial para ele, que tem lá muitos amigos. Deixou uma imagem muito boa no clube. Mas acredito que é um jogo que será mais um, também tendo a conta a forma como ele encara as coisas. Vai encará-lo com bastante naturalidade».

Ao serviço do Benfica, Rafa soma 22 jogos disputados e chega a este encontro depois de ter apontado, diante do Chaves, o seu segundo golo enquanto jogador dos encarnados.

in: ZeroZero.pt
 

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