domingo, 26 de março de 2017

Superáguia cresce como figura na Feira

Etebo, medalhado no Rio de Janeiro, selou a permanência do Feirense # É titular na selecção da Nigéria, com Mikel, Iwobi, Iheanacho e Moses

Etebo, 21 anos, tem o nome marcado na história do Feirense. O nigeriano foi fundamental na subida dos fogaceiros e frente ao Chaves fechou com chave de ouro uma incrível reviravolta, elegantíssimo num golpe de cabeça, acentuando o prazer da permanência, a primeira na história do clube na Liga. Etebo encanta a Feira e o futebol africano, destacando-se como titular na selecção maior das Super Águias, tudo isto depois de ter sido um dos elementos proeminentes na selecção olímpica  da Nigéria nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ajudando com espantosos contornos num fantástico bronze. prestigio também concedido ao Feirense pela proeza inédita de um atleta das suas fileiras.

Etebo valoriza-se em Portugal num clube de média dimensão, enquanto desfruta da companhia no onze da selecção nigeriana de estrelas cintilantes da Premier League, trocando bola com Mikel (Chelsea), tabelando com Iweobi (Arsenal), assistindo Ihenacho (Manchester City), lançando em velocidade Moses (Chelsea) ou sentando no banco Musa (Leicester).

«Não me preocupa nada jogar no Feirense, enquanto jogo como titular na selecção», reage de prontamente. De sorriso tímido, consciência generosa mas pensamento direccionado à conquista de outros mundos futebolísticos, o jovem médio vive o presente com a mente sossegada, sem tiques de estrela.

«É bom estar aqui, estou a gostar de tudo, toda a gente me recebeu bem. O ambiente é óptimo, sinto carinho em meu redor, quero jogar futebol pelas pessoas do Feirense, que acreditaram em mim, e dar o meu melhor. Estou feliz e não quero desapontar ninguém», apressa-se a pontuar o compromisso, mesmo perante interessados de gabarito como Arsenal, Tottenham, Leicester ou Mónaco, que já encetaram contactos no final do ano.

«Comprometi-me com o Feirense quando me foram ver na Taça das Nações Africanas, disputada no Senegal. Falaram comigo, gostei do modo como o fizeram e decidi juntar-me a eles. Dei a minha palavra e tenho que dar o meu melhor, sempre olhando em frente para a minha carreira. Não posso abrandar, pois estaria a prejudicar-me a mim e ao clube», alerta Etebo, desejoso de corresponder a todas as expectativas, acentuadas depois das noticias dos seus brilharetes no Rio.

«Qualquer jogador quer chegar o mais acima possível. Vou tentar estar no patamar mais alto. Mas não posso decidir nada. É a determinação que nos pode levar longe. Eu acredito que o futebol é um jogo de oportunidades. Toda a gente tem de perceber que estás a dar o melhor , mas chegares onde queres requer tempo», salienta o médio-ofensivo, contratualizado até 2018. Após uma arreliadora lesão, Etebo promete um final de época em grande e o golo ao Chaves é prova disso.

UM "POKER" NUMA PROVA DE SONHO

Etebo está na história dos Jogos Olímpicos; felicitado por Kanu e Okocha

Etebo é figura num momento inolvidável do futebol nigeriano, só superado pelo ouro nos jogos de 1996. Nascido um ano antes de Atlanta, um anos depois do extraordinário Mundial de 1994, em que a Nigéria espalhou charme, Etebo só à posteriori bebeu inspiração no futebol abrasivo e apaixonante das Super Águias, conduzidas, então, por jogadores da craveira de Okocha, Finidi, Oliseh, Kanu, Amokachi, Amunike, Yekini ou Ikpeba.

«Formaram uma grande selecção e serão sempre referencias, mas a Nigéria continua a ter imensos e bons jogadores distribuídos na Grécia, Turquia e, claro, na Inglaterra. Recebi os parabéns do Kanu quando marquei os quatro golos ao Japão, pois havia conseguido bater o recorde dele. Quem também me ligou foi o Okocha», lembrou Etebo, parte integrante da história do evento mais resplandecente do mundo ao copiar o poker de Bernd Mikel, que fez quatro golos nos jogos de Munique.

«Foi memorável estar e brilhar num dos maiores eventos. É uma oportunidade que nos toca uma vez na vida. Melhor só talvez mesmo um Mundial. Há fotos e memórias. O jogo com o Japão foi incrível, marcar aqueles golos foi muito bom mas também tive a sorte do meu lado», reconhece.

«Houve mudanças no governo, complicações e acabamos por viajar muito tarde, chegando à aldeia no dia do jogo frente ao Japão. O primeiro resultado foi fantástico e embalou-nos», recorda Etebo.

SELECCIONADOR É CONSELHEIRO

Gernot Rohr, seleccionador actual da Nigéria, aocnselhou Etebo a permanecer em Portugal, já que se encontra a jogar bem e com regularidade. Etebo concorda: «Falei com ele no Natal e gosto de ouvi-lo. Aconselha-me muito e diz-me que é importante fazer as coisas bem no meu clube, não se preocupa com a dimensão do Feirense», acrescenta.

ROONEY É HERÓI

Apesar da constelação de estrelas produzida pela Nigéria nos últimos 30 anos, o criativo do Feirense só tem olhos para uma referencia, um craque que lhe enche as medidas. «Eu só tenho um herói, acaba por ser uma espécie de mentor. É o Rooney, adoro-o, sempre o segui, desde que apareceu no Everton. Não sou fã do Manchester United, só fico fascinado pelo estilo de jogo do Rooney. Revejo-me no seu inicio de carreira», declarou.

GOLO É DO FILHO

Etebo cumpre a segunda época no Feirense, após ter chegado em Janeiro de 2016 para ajudar na subida à Liga. Durante meses dividiu casa com Alampasu, guarda-redes cedido ao Cesarense. Está agora com a família completa em Portugal, após ter visto nascer o primeiro filho. Já lhe dedicou o golo ao Chaves.

TÉNIS DE MESA É SEGUNDA PAIXÃO

Quem o conhece em Santa Maria da Feira fala de um rapaz sossegado, que preza o descanso depois dos treinos. Etebo é parco a falar de paixões e ocupações. «Gosto de estar em casa. Aquilo que que sempre mais gostei de fazer para além do futebol é o ténis de mesa. Acho que podia ter dado um bom praticante».

ARTILHEIRO

Etebo tem mudado de posição várias vezes ao longo da carreira. Aparece agora como médio ofensivo mas também já foi ala e segundo avançado, até porque em matéria de de golos é o segundo melhor estreante no campeonato nigeriano, tendo apontado 17 golos pelo Warri Wolves, em 2012/2013, apenas batido por Ahmed Musa.

in: jornal  A BOLA
 

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