segunda-feira, 3 de abril de 2017

Basebol, a nova modalidade do Clube Desportivo Feirense

O basebol é a nova aposta do Clube Desportivo Feirense. O clube feirense iniciou a secção de basebol e espera promover uma modalidade que nos Estados Unidos move paixões, gerando verdadeiras lendas e mitos.


Nos Estados Unidos, quando se fala em desporto, o basebol vem de imediato a terreiro. A modalidade é uma das mais populares entre os norte-americanos e a MLB (Major League Baseball), a Liga de Basebol dos Estados Unidos, faz parte das quatro ligas mais populares do país. O Basebol tem até um museu (National Baseball Hall of Fame and Museum ou Cooperstown, como também é conhecido), em Nova Iorque, onde pontificam as maiores estrelas do basebol norte-americano — verdadeiras lendas e mitos urbanos.

Em Portugal, esta realidade está bem distante, mas é provável que, brevemente, termos como innings, home runs ou pitcher, entre outros, façam parte do léxico comum dos feirenses. Pelo menos, esse é o desejo do Clube Desportivo Feirense e de Daniel Fonseca, treinador da nova modalidade do clube: o basebol.

“Fomos convidados por um responsável do Feirense para publicitar o basebol no clube. Após a primeira reunião, a direcção do clube mostrou interesse na criação da modalidade, já que agora é uma modalidade olímpica e pode-se jogar em campo aberto — pois o Feirense tem dificuldades com os pavilhões”, refere Daniel Fonseca, que sublinha tratar-se de um “projecto sério e com pessoas que estão disponíveis para ajudar”. Com quase trinta anos ligado à modalidade, o treinador esteve ligado a outros duas equipas concelhias: o Centro Social Luso Venezolano, na qual esteve 14 anos — campeão em 2006 —, e de onde transitou para o Feirense, juntamente com boa parte dos jogadores, e o Feira Basebol Clube, formação que também representou, mas que se mantém inativa, e foi hipótese para esta época, no entanto, o Feirense foi a escolha natural. “O Feirense é a escolha certa, em termos de divulgação e imagem”, explica o técnico, que aponta o surgimento de clubes com visibilidade como o caminho ideal para a modalidade proliferar em Portugal. “Ando há quase trinta anos no basebol e, num mês e meio [tempo de trabalho no Feirense], conseguimos fazer coisas que não fazíamos há dez anos. Era importante que surgissem mais equipas no basebol a dar esta visibilidade”.
Como se percebe, apesar do clube ser novo ‘nestas andanças’, o plantel do basebol do Feirense, formado actualmente por 20 atletas, é já experiente e…categorizado. “Maioritariamente são jogadores que jogam há muitos anos em Portugal, outros, inclusive, jogadores que estiveram na selecção nacional e no estrangeiro a jogar e que estavam parados. É uma iniciação no clube, mas não nos jogadores, pois a maior parte tem experiência até internacional”, explica o timoneiro do Feirense.
Assim, a fasquia das expectativas para a época que já se iniciou (o Feirense estrou-se com duas vitórias) são altas. “Queremos ganhar o Circuito Nacional. Nós, feirenses, somos uma equipa muito competitiva, que entra em campo sempre para ganhar. É essa a ideia incutida em todas as modalidades, e o basebol não foge à regra”, garante.

O Circuito Nacional é a prova que substituiu o campeonato nacional, extinto após a Federação Portuguesa de Basebol ter perdido o estatuto de utilidade pública, algo que se deverá alterar em breve. “A FPB vai recuperar o estatuto brevemente, este ano ou no princípio do próximo, até porque já faz parte das modalidades olímpicas”, explica.

Formar é uma prioridade
O basebol do Feirense treina três vezes por semana, duas na Escola Secundária da Feira e uma no Campo do Sanfins, casa restaurada que serve igualmente para os jogos na condição de visitado. As condições não são perfeitas, mas bastante satisfatórias, como assegura Daniel Fonseca. “O Campo de Sanfins, neste momento, oferece-nos o essencial. Mas queremos crescer muito mais. Para promovermos a modalidade, precisamos de um campo nosso, de basebol, com as marcações e dimensões da nossa modalidade. O ideal seria recuperar os balneários do Campo do Sanfins, vedá-lo e criar condições para treinar sempre lá, até mesmo de noite, para também começarmos a criar equipa de formação”, um dos grandes objectivos do clube. O basebol do Feirense quer “criar a equipa de cadetes ou juniores (formação) para futuramente competir”, afirma Alejandro Fonseca, filho de Daniel Fonseca e que será um dos técnicos das futuras equipas de formação.

“A ideia passa por começar a dar formação nas escolas do Concelho. Vamos ‘atacar’ directamente nos agrupamentos para darmos formação e divulgar a modalidade. Depois vamos tentar a colaboração da Câmara, que é fundamental para o fomento da modalidade”, assegura Daniel Fonseca.
Uma ideia que faz parte, igualmente, do lema adaptado pelos seus responsáveis: “O nosso lema é adaptado das siglas do Feirense — CDF: Competição; Divulgação; e Formação”.

REGRAS
Sucintamente, Daniel Fonseca explica a principais regras do basebol, um desporto “de inteligência, de perícia, muito de estratégia e é um jogo muito intenso”:

“No basebol as duas equipas defendem e atacam, mas alternadamente. Cada equipa joga com nove elementos. A equipa que está a defender é a que está a lançar a bola. A equipa que está a atacar é a que está a bater. A função do lançador é tentar eliminar o batedor, fazer com que não acerte na bola, e mesmo que o consiga, que seja eliminado nas bases. O lançador tem de lançar três bolas na zona boa (mais ou menos entre as axilas e os joelhos e a caixa de batimento, com 80com de largura), se o receptor apanhar a bola nessa zona o árbitro indica-o como tal. Tem direito a três strikes, que é uma eliminação. Quatro bolas fora da zona boa dão direito ao batedor de avançar para a primeira base (há três bases). Quando voltarmos novamente à posição onde estivemos a bater fazemos um ponto. Se o batedor for eliminado, alteram-se as funções defesa/ataque das equipas. São nove pares (nove vezes a defender e nove a atacar), mas em Portugal só estamos a fazer sete pares. A equipa visitante é a primeira a bater e os visitados a fechar. No ataque, para pontuar, depois de bater a bola ela tem que cair no chão e o corredor (anteriormente batedor) tem de chegar a uma das bases antes de a bola. Se ela for apanhada no ar é eliminado, se bater no chão e o receptor lançar a bola para onde o batedor está a correr e chegar primeiro que ele, também é eliminado. O comprimento ideal de um campo de basebol seria de 120mX120m. Se a bola passar o campo, chama-se homerun (o batedor tem direito a avançar as três bases)”.



in: jornal  CORREIO DA FEIRA
Nélson Costa

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