terça-feira, 25 de abril de 2017

“Disse ao Vaná: pega esta oportunidade e fá-la valer”

Wlamir Gaúcho foi treinador de guarda-redes do brasileiro, na época passada, no ABC. Conhecedor das qualidades, o antigo técnico, não ficou surpreendido pela exibição no Dragão
Vaná esteve no banco do Feirense até ao jogo com o Benfica, em outubro passado. Foi lançado contra o V. Setúbal e não mais largou a baliza

Prémio: Vaná chegou a Portugal campeão da Série C do Brasil, prova na qual foi eleito o melhor guarda-redes

Embora só tenha trabalhado com Vaná durante um ano, Wlamir Gaúcho já conhece o guarda-redes há oito. Por isso, sabe que o futuro passa por outros voos, pela ambição que deposita no trabalho diário

Sete jogos depois, Vaná voltou a fechar a baliza do Feirense, feito que ocorreu na pior altura para o FC Porto, que vinha na perseguição ao líder Benfica e não conseguiu encurtar distâncias, após o empate no dérbi de Lisboa. O grande responsável pelo facto de a equipa de Nuno Espírito Santo não ter saído do Dragão com um triunfo, foi o guarda-redes brasileiro, que hoje comemora 26 anos, e anteontem realizou um punhado de defesas fabulosas, que enervaram os adeptos portistas. A completar a primeira época ao serviço dos fogaceiros, O JOGO foi à procura de Wlamir Gaúcho, antigo treinador do guarda-redes Vaná, no ABC, na época passada, que revelou alguns dados curiosos, antes da vinda do guardião para Santa Maria da Feira. “Quando ele soube da proposta do Feirense, falou comigo e eu disse, pela tua qualidade, não és guarda-redes para jogar no ABC, o teu nível é muito maior. Pega esta oportunidade e fá-la valer a pena”, contou o técnico, de 56 anos, que também já trabalhou com Adriano Facchini (Nacional) e Douglas( V. Guimarães ), e apesar de só ter trabalhado um ano com Vaná, já o conhece há oito e mantém contacto com ele semanalmente. Porém, quando chegou a Portugal, o guarda-redes teve de passar pelo banco, antes de conquistar o seu espaço no onze, pois Peçanha era a primeira escolha de José Mota e só à oitava jornada, tudo mudou. “No começo foi difícil estar a suplente porque ele estava habituado a ser sempre titular e a fazer grandes atuações. Era o ídolo dos adeptos e ainda hoje dentro do ABC existe a sombra do Vaná porque ele conquistou esse espaço. Mas manteve-se quieto, trabalhou, foi profissional e mostrou as suas qualidades. Quando teve a oportunidade, agarrou-a com as duas mãos”, sublinhou, enaltecendo as principais características do jovem guardião. “Tem um ar franzino e magro, mas tem muita força, é tranquilo, sereno e muito decidido. Tem uma grande liderança e é um profissional com ambição. Tem características para ir ao topo”: “O Feirense abriu-lhe as portas e agora tem grandes possibilidades de conseguir coisas melhores em Portugal ou quem sabe fora porque o futebol português é bem visto há uns largos anos. Sessenta por cento dos guarda-redes brasileiros que foram para Portugal, tiveram sucesso. É um grande mercado a ser explorado”, concluiu.

“De um modo geral, o Vaná tem feito boas atuações, mas a do Dragão foi a melhor. O guarda-redes não tem de aparecer, só ser pontual à hora que é preciso” “Sessenta por cento dos guarda-redes que foram para Portugal tiveram sucesso. É um mercado a explorar”
Wlamir Gaúcho, treinador de guarda-redes do ABC

“Seleção? N.º1 não está definido”

Apesar de achar difícil, Wlamir Gaúcho acredita que um dia Vaná, que tem mais um ano de contrato com o Feirense, poderá chegar à canarinha. “Todo o profissional tem esse objetivo, mas depende do clube onde esteja. No Feirense será difícil porque é uma equipa que não disputa troféus e para se chegar à seleção é preciso estar em grandes clubes”, salientou, acrescentando: “O Brasil tem uma carência com a camisola número 1, ainda não definiram quem estará no Mundial. São todos apostas de momento: Alisson, Muralha, Ederson e Gomes”

O Jogo
ANDRÉ BASTOS

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