domingo, 30 de abril de 2017

Feirense-Marítimo, 2-1 (crónica)

Uma manta que não para de esticar
Entrar com arte, fechar de dentes e fileiras cerradas. O Feirense bateu o Marítimo com os lucros de um primeiro tempo interessante e a fortuna de um segundo onde quase só defendeu, replicando a exibição do Dragão. Continua a convencer Nuno Manta, que alarga ainda mais o horizonte de um Feirense histórico, perante um Marítimo que vê o Rio Ave mais perto e deixa a Feira penalizado, sobretudo, por uma primeira parte onde esteve muito abaixo do esperado e um segundo tempo onde querer não foi poder.

Um primeiro tempo agitado, bom de seguir, um segundo condicionado pela expulsão de Cris, que travou e muito o ímpeto do Feirense e obrigou a estratégia diferente, com a expetativa a superar a adrenalina. É quase sempre assim e, em vantagem no marcador, não seria diferente. Daí que o segundo tempo tenha sido quase de sentido único, mas mostrando o que já se vira, de resto, no Dragão, na semana passada: o Feirense sabe defender.

Antes, com 11 para 11, mostrou, então, que também sabe atacar e esteve por cima na melhor parte do jogo, a primeira. Catapultado pelo golo «à Ibrahimovic» de Karamanos, logo aos 11 minutos, o Feirense foi mais perigoso no primeiro tempo e a vantagem ao intervalo era perfeitamente justa.

Nuno Manta mudou algumas pedras no onze, desde logo na baliza, onde Peçanha ficou com o lugar de Vaná, que não estava a cem por cento, mas também no flanco direito da defesa, onde Barge regressou num lugar que vinha a ser de Jean Sony.

Já o Marítimo apostou no onze esperado, já que sabia, de antemão, não poder contar com os centrais Maurício, lesionado, e Raul Silva, castigado. Avançou uma dupla inédita, formada por Zainadine e Deyvison. Não foi por aí, de resto.

O jogo começou, praticamente, com o golo de Karamanos, pois antes dos dez minutos houve apenas aquilo a que alguém começou a chamar de estudo mútuo. Trabalho de casa no relvado, no fundo.

Ora, o golo, então, sublinhe-se, foi genial. A defesa do Marítimo parou porque achava que Vítor Bruno tinha recolhido a bola para lá da linha, mas nenhuma repetição televisiva é suficientemente esclarecedora. Parece não ter passado toda. Portanto, razão ao árbitro João Pinheiro. Seria uma constante ao longo do jogo. Mas já lá vamos.

O golo, dizíamos, é marcado com um calcanhar voador do grego Karamanos, que chegou aos seis na Liga, após centro de trivela de Vítor Bruno. Uma obra de arte a dar o mote para 45 minutos bem interessantes.

O Marítimo tinha de reagir, mas no primeiro tempo, fê-lo, quase sempre, sem grande critério. Quase empatou num lance feliz em que Ícaro ia fazendo autogolo (a trave negou) e empatou mesmo num lance feliz em que Flávio Ramos fez mesmo autogolo. Pelo meio, marcou «por meios próprios», mas o lance foi bem invalidado por falta sobre Peçanha.

O estilo insular não era o mais vistoso, o futebol era, naquela altura, menos interessante do que o da casa, mas o efeito prático era similar. Não convencido, o Feirense partiu para cima do rival e marcou de novo, agora de grande penalidade, em nova boa decisão do árbitro. Erdem Sen carregou Etebo. Lance tão evidente quanto desnecessário do médio turco, com o rival de costas para a baliza.

Tiago Silva não perdoou e fez, ali, o resultado do jogo. Mas ainda havia muito para contar. Cris, capitão da casa, em dez minutos viu dois amarelos e complicou bastante a tarefa à sua equipa. Para não variar, João Pinheiro decidiu bem. Sim, o árbitro foi uma das figuras do jogo. Pela positiva.

Com dez, era de prever que Nuno Manta lançasse Ricardo Dias ao intervalo. Afinal, era o jogador mais parecido com Cris que tinha no banco. Mas o técnico foi pelo caminho menos provável e apostou nos mesmos. Recuou etebo, juntando-o a Tiago Silva no miolo e acreditou nos dez que lá estavam. Dias entraria apenas a 20 minutos do fim, quando o Marítimo já carregava com tudo e Daniel Ramos até se servira de Xavier e Djousse para alargar o ataque.

O segundo tempo foi todo do Marítimo, o estilo melhorou ligeiramente face ao primeiro tempo, mas não foi o suficiente para empatar. Etebo evitou que um cabeceamento de Erdem Sen levasse o caminho da baliza, Peçanha fez o mesmo a Djousse já na reta final.

Com a lição do Dragão bem fresca na memória, o Feirense uniu-se e defendeu até ao fim. Chega aos 39 pontos e a um fantástico oitavo lugar, que premeia a sagacidade de Nuno Manta e a união do grupo.

in: MaisFutebol.iol.pt

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