sexta-feira, 21 de abril de 2017

Platiny já conhecia a “estrela” de Nuno

foto: CD Feirense
Platiny não é apenas o maior goleador da história do Feirense, com 35 golos apontados em 103 jogos, distribuídos por três épocas... intercaladas. O avançado brasileiro é igualmente testemunha privilegiada — aliás, a única do actual plantel — da estreia de Nuno Manta como treinador do Feirense, decorria a época 2012-13.

Acabado de desembarcar em Portugal, Higor Platiny vivia em Santa Maria da Feira o início do sonho europeu, norteado pelo objectivo de chegar ao primeiro escalão nacional. A equipa de então até possuía alguns profissionais com nome feito na “praça”, como era o caso de Pires — actualmente o maior goleador da II Liga —, para além de promessas entretanto firmadas, de que o agora benfiquista Rafa Silva é exemplo eloquente. E dava, como tal, garantias de uma boa campanha.

Porém, problemas e imprevistos fizeram com que a engrenagem “triturasse” dois treinadores nas primeiras sete jornadas: Henrique Nunes saiu, em branco, à terceira ronda. Bruno Moura caiu à sétima, com dois nulos.

Chamado a assegurar a “ponte” para Quim Machado, nome com passado e peso na instituição, Nuno Manta revelou competência… insuspeita, mas que só agora, cinco anos depois, lhe reconhecem incondicionalmente. Logo à primeira, o “interino” venceu dois jogos (bateu o Moreirense, na Taça da Liga, para depois ganhar, por 3-1, ao União da Madeira) e tirou a equipa do penúltimo lugar, passando-a, intacta e revigorada, ao novo líder, e remetendo-se naturalmente à condição de técnico de formação, nos juniores, onde foi adquirindo estatura para agarrar novas oportunidades.

Platiny viu, já nessa altura, bem de perto, a estrela de Nuno Manta, que a “chicotada” de José Mota, em Dezembro passado, fez brilhar mais uma vez. Apesar de tudo, o goleador do Feirense não esconde a surpresa perante a decisão de confiar, em definitivo, o cargo principal ao adjunto. “O grupo queria que ele continuasse, mas todos sabiam que não se tratava de uma medida fácil. O risco era grande e seria natural que a aposta fosse num treinador com maior experiência”, admite.

Agora, Platiny pode testemunhar outro fenómeno, o da permanência adiada, que enche de alegria o coração do “matador” brasileiro, no qual reservou um lugar de destaque para o clube da Feira. “Quando regressei ao Feirense, tinha dois objectivos claros: a subida à I Liga e a permanência nunca antes alcançada, até para assinalar a entrada no ano do centenário. O sonho está praticamente concluído, mais cedo do que podíamos pensar”, remata, certeiro, com a promessa de que a ambição estará presente até final, ou não fosse esse um dos segredos do sucesso de Nuno Manta.

“O foco é sempre o jogo seguinte. Subir degrau a degrau, com confiança e tranquilidade”, resume, longe de imaginar o que teria acontecido se a aposta em Nuno Manta tivesse surgido em 2012.


in: jornal Público
Augusto Bernardino

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