terça-feira, 9 de maio de 2017

Fogaceiros revoltados com clima de suspeição

Santa Casa da Misericórdia volta a suspender apostas num jogo do Feirense

Na tarde de sábado, a escassas duas horas do apito inicial do jogo Paços de Ferreira vs. CD Feirense, a Santa Casa da Misericórdia (SCM) emitiu um comunicado em que anunciava ter decidido “não aceitar mais apostas no ‘Placard’” para o desfecho daquela partida, bem como iria “proceder à anulação das apostas registadas até ao momento, cumprindo o disposto no regulamento do jogo”.

Recorde-se que o clube fogaceiro já no início de Fevereiro havia sido envolvido em situação idêntica, dessa feita, a propósito da recepção ao Rio Ave (jogo que haveria de vencer por 2-1), com o mesmo Departamento de Jogos da SCM a justificar a decisão com “o volume atípico de apostas registado e ao risco financeiro envolvido”. Na altura, o assunto gerou grande controvérsia, a ponto de o presidente da SCM (Pedro Santana Lopes) se sentir obrigado a vir a público explicar que “quando há um excesso de concentração de apostas, num prognóstico ou num jogo, ou num curto espaço de tempo, soam as campainhas de alarme”. Logo depois, o Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito, cujos resultados ainda não são conhecidos, com o processo ainda a correr termos na Secção de Santa Maria da Feira do DIAP de Aveiro.

Liga reage…

Reagindo quase de imediato, a Liga Portugal (Liga) pediu explicações à SCM e ao Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos. Manifestando “disponibilidade para acompanhar a situação”, a entidade que tutela a organização das competições profissionais de futebol em Portugal, deixou já um claro sinal de apoio e de “total e inequívoca confiança na credibilidade e fiabilidade de todas as sociedades desportivas e demais agentes desportivos”.

Para as entrelinhas, a Liga reservou uma advertência subliminar, ao sublinhar, no Comunicado, que “tem sido um parceiro ativo e atento ao fenómeno, quer na salvaguarda da integridade das competições, quer do bom nome e interesse das sociedades e clubes que representa”.

…e o CD Feirense exige solução drástica

Questionado quando ia a caminho de Paços de Ferreira, escassos minutos após ser conhecido o teor do comunicado dimanado pela SCM, Rodrigo Nunes lamentou que, mais uma vez, “se esteja a envolver o nome do Feirense numa situação que só aproveita a quem anda a gravitar à volta do Futebol, só para ganhar dinheiro”. Nitidamente agastado, o presidente do CD Feirense disse ao ‘Correio da Feira’ que “é necessário tomar medidas para acabar com as suspeições. Se não houver solução, então, acabe-se com o jogo de apostas, que só serve para dar dinheiro a quem se aproveita do Futebol, prejudicando os Clubes”.

Para Rodrigo Nunes, “é urgente tomar-se uma atitude drástica”, porque “estão a colocar o mundo do Futebol em situação confrangedora. E envolver nisto o Feirense… Só quem não conhece o Clube…”, lamentou.

in: jornal CORREIO DA FEIRA 
Orlando Macedo

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