terça-feira, 6 de junho de 2017

José Mota "O Nuno foi inteligente"

José Mota deixa elogios ao seu sucessor e diz que é mais um adepto do clube da Feira

José Mota não se inibe de falar do Feirense, equipa que subiu à Liga, mas com quem interrompeu a ligação a meio desta época. Muitos elogios a Nuno Manta e ao plantel que ele próprio construiu

José Mota saiu do Feirense em dezembro, devido a uma série negra, de sete derrotas consecutivas. Ao longe, viu Nuno Manta fazer uma recuperação alucinante. José Mota não chegou a ficar um ano completo em Santa Maria da Feira. Contratado em março de 2016, quando o clube estava na II Liga, o treinador ajudou o Feirense a subir à I Liga, mas no principal escalão não chegou a terminar a primeira volta do campeonato, devido aos maus resultados que deixaram a equipa perto do abismo. Contudo, teve um papel ativo na formação e educação do plantel, que depois Nuno Manta transfigurou para níveis exibicionais nunca antes vistos, que deixaram a Europa a uma distância de dois pontos. Ao jovem técnico, de 38 anos, que foi seu adjunto, José Mota só tem elogios a fazer, mas também lhe deixou um aviso...

Tendo em conta que orientou o Feirense durante a primeira volta, que balanço é que fez da época, que acabou por ser histórica e também teve um pouco do seu contributo?

—Claro que dei o meu contributo, todo aquele plantel foi formado por mim. Muitas vezes nós pensamos que é como termina, mas também temos de ver como é que as coisas começaram. Todo este plantel do Feirense foi desde o início competitivo, com alguns jogadores que estavam pela primeira vez na I Liga e demonstraram todas as suas capacidades, que já na II Liga tinham demonstrado, assim como outros que apareceram, oriundos de outros países. No início, é preciso adaptação, entrosamento e uma série de fatores que são importantes para que as coisas aconteçam no futuro.

Ainda chegou a ver alguns jogos da segunda metade da época, que achou da prestação da equipa?

—Acompanhei porque tenho lá grandes amigos. O Nuno Manta fez um excelente trabalho, foi um jovem que trabalhava comigo e de quem eu gostei muito. Nós somos amigos e ele acabou por cimentar o trabalho que vínhamos desenvolvendo, soube ser inteligente. E há outro aspeto que é muito importante, quando se tem potencial e os resultados aparecem, as coisas são sempre mais fáceis. Ganhando um jogo ou dois, a motivação depois é completamente diferente e sem dúvida que o Feirense fez um grande campeonato, pois tem jovens de grande talento naquele plantel.

Quando saiu em dezembro, ficou a torcer por fora para que as coisas corressem bem?

—Não sou pé frio, por onde passo deixo sempre amigos. Falo muitas vezes com o Nuno Manta, com o Paulo Santos [treinador de guarda-redes] e com a administração. Sou mais um adepto do Feirense e fiquei a torcer por fora. Sei que dei o meu contributo e as pessoas gostaram do meu trabalho. O Feirense foi uma marca ótima para mim. Foi um conhecimento de situações novas, foi viver momentos únicos, uma subida de divisão, foi o preparar uma nova época e de jogadores a adaptarem-se. Vivi talvez os momentos mais difíceis, desde a formação daquele plantel, a algumas desilusões ou hesitações, em relação ao potencial. Quando não se conhece uma equipa, primeiro é preciso educar e formar para depois se ter resultados. O Feirense mostrou sem dúvida toda a sua capacidade e foi a equipa que melhor terminou o campeonato, em termos físicos e técnicos e o Nuno teve um grande mérito nisso, assim como todos os que lá trabalharam. Noutras fases, também acabei por suceder a outros treinadores e acabei por ter sucesso e nunca posso esquecer aqueles que trabalharam e deram o máximo, mas que as coisas acabaram por não acontecer. No futebol, temos de perceber que hoje somos heróis e amanhã também não podemos deixar de o ser, só porque as coisas não correram bem.

A decisão de sair deveu-se essencialmente aos maus resultados, achou que naquele momento o melhor para a equipa seria afastar-se?

—Não é só uma questão de resultados, são coisas do futebol. Subi agora o Aves, fizemos uma excelente campanha, quando fui para lá, estávamos a 12 pontos do primeiro lugar e terminámos a dois. Mas isso não é importante,

“O Feirense tinha um bom plantel. Contrataram jogadores em dezembro, mas a base foi sempre a mesma”
José Mota, Treinador
in: jornal O JOGO
ANDRÉ BASTOS

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