segunda-feira, 12 de junho de 2017

NATAÇÃO | “Quero dedicar-me e tentar tirar futuro da natação”

Manuel Pinho, nadador juvenil do Clube Desportivo Feirense e um dos atletas em destaque no panorama nacional do escalão, conquistou recentemente o Nadador Completo e objectiva uma medalha no Open de Portugal. O treinador, Antero Almeida, vê potencial no jovem natural do concelho de Ovar e analisa a realidade da modalidade no clube e no panorama nacional.
foto: Correio da Feira
Manuel Pinho começou a dar aos braços e aos pés dentro de água com apenas nove anos. Entre futebol e karaté, foi a natação que puxou interesse e ajudou a superar um problema diagnosticado nos pulmões. “Comecei a fazer natação para aumentar a minha ‘bagagem’. Pratiquei futebol e karaté, mas o Feirense chamou-me para a natação e tive que optar. Escolhi a natação porque era – e é – o que gostava mais e onde tinha mais jeito”, começa por desvendar o jovem de Maceda.

Em Maio transacto, nas Piscinas Municipais da Gafanha da Nazaré, Manuel Pinho conquistou o Nadador Completo, objectivo traçado pelo próprio e pelo seu treinador, Antero Almeida. Arrecadou o primeiro lugar aos 100 metros livres, o segundo aos 100 costas, 100 mariposa e 200 estilos e ainda o quinto posto aos 100 bruços. A soma dos resultados nas cinco provas garantiu o primeiro lugar ao jovem atleta do Feirense.

Também no mês de Maio, Manuel Pinho alcançou o terceiro lugar no Campeonato Regional de Clubes com TAC Nacional. Um TAC traduz-se no tempo mínimo que os nadadores têm que cumprir, em provas oficiais, para conseguirem uma vaga no Campeonato Nacional. “Existe uma tabela de tempos adequada a cada escalão e género. Alcançando esse tempo numa competição oficial, torna-se válido e os atletas podem nadar no Nacional”, explica Antero Almeida, treinador de Manuel Pinho.

O Open de Portugal realizar-se-á entre 20 e 23 de Julho, nas Piscinas do Jamor, e Manuel Pinho ambiciona “ser campeão nacional aos 100 metros costas e 100 metros livres”.

Actualmente no décimo ano, Manuel Pinho diz não ser fácil conciliar a escola com a natação porque… está apenas focado em nadar e os estudos retiram-lhe tempo. “Não gosto de andar na escola. Quero dedicar-me e tentar tirar futuro da natação”, afirma. O jovem nadador do Feirense vê na nadadora norte-americana Katie Ledecky como uma grande referência.

Antero Almeida, mais que um treinador, um amigo

Desde cedo que foi fácil perceber a boa relação existente entre treinador, Antero Almeida, e nadador, Manuel Pinho. Natural de Santa Maria da Feira e ex-nadador, Antero trabalha com Manuel desde que este entrou para os quadros da equipa fogaceira e revela que o nadador feirense registou uma evolução meteórica. “A julgar pelo escalão de infantis, que é o primeiro escalão à séria de competição, quando o Manuel foi ao campeonato nacional de Infantis B, era apenas mais um lá no meio. Andava pelo meio da tabela. No ano seguinte, infantil A, já constava no Top-10 nacional. Agora, no presente e no último ano, já podemos dizer que está entre os cinco melhores nacionais. Perspectiva-se assim um desempenho minimamente decente para o Nacional”, antevê Antero Almeida.

Assim, apesar de “uma evolução sempre crescente” de Manuel Pinho, o jovem treinador revela que a “bagagem, quando o Manuel entrou, não era muito grande a nível de trabalho técnico”. “Tivemos que o trabalhar muito para conseguirmos melhores resultados. Com o passar dos anos, a evolução foi sempre crescente. Muitas vezes vêem-se miúdos cujo rendimento é muito esmifrado e vemos bons resultados no primeiro e segundo ano, mas depois vemo-los em queda livre. O Manuel tem mostrado um percurso bem definido e com melhorias significativas de ano para ano”, revela.

Manuel Pinho, embora muito novo, almeja atingir o patamar profissional da modalidade. Para o treinador, as capacidas técnicas estão presentes, mas é necessária uma grande capacidade mental. “O Manuel tem capacidade física para isso [ser profissional], mas é preciso ter cabeça e crescer muito. É necessária uma disponibilidade mental muito grande para conseguir trabalhar. A Natação é provavelmente o desporto mais difícil de trabalhar em alto rendimento por um simples motivo: estamos completamente fora do nosso meio. Não temos os pés no chão, não temos as mãos no chão, não temos contacto com outras pessoas e a partir do momento que metemos a cara dentro de água, os nossos sentidos perdem a percepção normal. Não ouvimos da mesma maneira, o que vemos é o fundo da piscina, o contacto é literalmente só com a água e não é fácil estar uma ou duas horas e meia por dia com a cara dentro de água a olhar para o fundo de uma piscina e manter uma cabeça pronta a dar sempre mais”, opina.

A falta de uma piscina própria do Feirense

Confrontado com a questão, Antero Almeida mostra-se claro: “Faz falta uma piscina”. Actualmente, os atletas do Feirense treinam na piscina de S. João de Ver, de apenas 25 metros. Embora as condições não sejam as mais favoráveis quando comparadas com outras equipas do Concelho – o Clube Colégio de Lamas possui uma piscina de 50 metros – o Feirense tem, à imagem do clube lamacense, arrecadado bons resultados e títulos. “Vai do esforço e dedicação de cada um. Não é por termos uma piscina mais pequena que o trabalho fica impossibilitado de ser feito. Mas implica mais esforços. Nada é impossível, mas não é fácil. Temos muitos atletas a treinar ao mesmo tempo e às vezes é complicado ter dez miúdos de idades diferentes, por exemplo, numa única pista a treinar”, aponta, focando a chave do sucesso na dedicação dos próprios nadadores. “Quando falamos em dedicação não é só dos treinadores, mas também dos atletas. Podem ter o melhor treinador do mundo, mas se não estão disponíveis mentalmente para fazer o que é pedido, não interessa. O esforço é individual”, termina Antero.

Por fim, o nadador Manuel Pinho não perdeu a oportunidade para adjectivar o Feirense “como uma família”. “É sempre bom termos pessoas que ajudam a alcançar os nossos objectivos e que não nos deixam desistir e que continuam ao nosso lado”, conclui.

in: jornal CORREIO DA FEIRA
Marcelo Brito

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