segunda-feira, 10 de julho de 2017

ANDEBOL | “O projecto do Feirense, na sua globalidade, é formidável”

Carla Barbosa, técnica que garantiu o primeiro título feminino do andebol do Feirense com o escalão de Infantis – numa temporada na qual traduziu os jogos disputados por triunfos –, trocou Espinho por Santa Maria da Feira e em nada se arrepende da decisão. Diz ter encontrado uma família, não só na modalidade cujo projecto encarcerou-a ao Feirense, mas em todo o clube.


Com apenas dois anos de Clube Desportivo Feirense, a espinhense Carla Barbosa já conseguiu o primeiro título – e nacional – da história feminina da secção. A equipa feminina de Infantis arrecadou, na semana transacta, o título de campeã nacional em Albufeira, algo que não entrava nos objectivos da técnica nem do clube. “Não estava traçado”, salienta, referindo que “o objectivo passava por captar o maior número de atletas, aumentar e consolidar uma boa base de trabalho”.

Há duas épocas de Castelo ao peito – a quando da criação de equipas femininas –, Carla Barbosa admite que, em tão pouco tempo, “era impensável projectarem-se títulos regionais ou nacionais”. Ao invés do previsto, os títulos aparecem já na segunda época. “Os jogos começaram a correr bem e as vitórias começaram a aparecer. Fomos campeãs regionais e o campeonato nacional acaba também ele por aparecer”, revela, explicando de seguida o segredo: “Dando o melhor em cada jogo com a perspectiva de evolução”.

Relativamente à época desportiva das Infantis do Feirense, em 25 jogos oficiais, 25 triunfos. Carla Barbosa admite que, a nível regional, não houve muita competitividade para o nível de jogo das suas discípulas o que permitiu que todas jogassem com muita rotatividade. Recorda a evolução da equipa referindo o primeiro triunfo, escaço, frente à Sanjoanense, comparando-o de seguida com o segundo jogo frente às de São João da Madeira que terminou em goleada, com vantagem de 12golos, para o Feirense. “A cada jogo, as atletas evoluíram mais e mais. Mesmo na segunda fase, a rodar a equipa, conseguimos resultados absolutamente fantásticos. Havia uma melhoria progressiva abismal”, refere, mudando de seguida o cenário relativamente ao Encontro Nacional. “Foi mais complexo. Apanhámos boas formações como o CALE, ABC e Colégio de Gaia. Foram jogos complicados”, admite. Ainda assim, percurso 100% vitorioso que deve-se ao empenho de treinadora e jogadoras. “As atletas trabalham muito. Só têm uma folga semanal. Fazemos quatro treinos durante a semana e dois jogos ao fim-de-semana, enquanto as equipas com quem jogámos têm três treinos semanais e um jogo. Ao fim de uma época, nota-se. O segredo está aí”, aponta.

A espinhense de 26 anos que é também professora de História, não esconde a felicidade em ter conquistado o troféu que compensou os “sete dias que trabalha em prol do Feirense. “Vivo para o Andebol e quem se dedica procura sempre chegar ao topo. Ambicionava um título, não tão cedo, mas confirmou-se”, orgulha-se.

O projecto, o papel de Manuel Gregório e a família Feirense

Carla Barbosa largou a quadra enquanto jogadora devido a duas graves lesões sofridas nos ligamentos cruzados de ambos os joelhos e rapidamente encontrou na função de treinadora uma forma de manter-se ligada à modalidade. Autocaracteriza-se como “apaixonada por andebol” e assume que o projecto apresentado por Manuel Gregório, coordenador do Feirense para a modalidade, aliciou-a desde início. “O projecto do Feirense, na sua globalidade, é formidável. Baseia-se em formar jogadores da casa para jogarem nos seniores e serem activos no clube enquanto jogadores, treinadores ou directores. É um projecto muito bom porque, primeiramente, tenta trazer as pessoas para dentro do clube e, depois, mantê-las por muitos anos”, avança.

Assim, Carla Barbosa identifica-se plenamente com o projecto do Feirense. “Sinto-me muito bem por estar num clube que se dedica com amor à modalidade. Sinto-me em casa. Fui acolhida de uma forma absolutamente fantástica por toda a gente e isso fez-me ser feirense logo desde o início”, confessa.

Mas afinal, quem convenceu a Carla Barbosa a ajudar a construir, do zero, o andebol feminino do Feirense? Foi Manuel Gregório, coordenador, quem endereçou o convite. Mais um nos muitos que a espinhense diz ter recebido, na altura, de “clubes com o feminino já consolidado”. “Quando o Manuel Gregório me fez o convite, gostei imenso. Pensei que seria uma boa aposta começar do zero. Toda a gente estava motivada e não seria a única. Fiquei muito interessada. O segredo é que o Feirense envolveu-me em todas as actividades desde muito cedo. Somos o andebol do Feirense e não o feminino do andebol do Feirense. Há união. Enquanto as meninas vão apoiar os jogos dos rapazes, estes dão outras valências às meninas como a exigência e a qualidade desportiva. O presidente Armando Castro e o coordenador Manuel Gregório conseguiram criar um grupo muito coeso e de sucesso”, afirma.

Nova temporada, nova equipa

Sendo que o projecto do Feirense consiste em abrir equipas femininas em todos os escalões da formação e, a longo prazo, uma equipa sénior, o clube vai avançar, já na próxima época, com a criação da equipa de Juvenis, segundo avança Carla Barbosa.

A técnica coloca, sem hesitar, a formação do Feirense entre as dez melhores nacionais. “Temos um clube com os Juniores, os Juvenis e os Iniciados na primeira divisão. Os Infantis são campeões regionais e os Minis tricampeões regionais. Ao nível da formação, estamos entre o top nacional. Não temos os Seniores na primeira ou segunda divisão, mas apenas porque começaram a competição há dois anos. Somos um grande na formação”, conclui.


As atletas, a equipa técnica e os directores das Infantis – vencedoras do Encontro Nacional – foram homenageadas, na quinta-feira, dia 29, pelo Clube Desportivo Feirense na sala António Lino do Estádio Marcolino de Castro. Além da presença do presidente Rodrigo Nunes e do vice-presidente para as modalidades Eugénio Almeida, marcou também presença a vereadora do pelouro do Desporto, Cristina Tenreiro.

in: jornal  CORREIO DA FEIRA
Marcelo Brito

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