terça-feira, 8 de agosto de 2017

ANDEBOL | “Sem investimento torna-se mais difícil subir nos seniores”

Manuel Gregório, treinador (juniores e seniores) e coordenador do Feirense – Andebol, faz o balanço da época passada e projecta a época 2017/18.
Foto: Correio da Feira
Que balanço faz da época desportiva da equipa de juniores e seniores?

Nos seniores ficou um sabor agridoce, não tivemos tanta consistência no trabalho como queríamos, ao longo do ano. Se tivéssemos essa consistência conseguíamos atingir a subida de divisão. Mas também houve um factor que nos prejudicou e ajudou os atletas a crescer, simultaneamente. Quase todos os atletas juniores faziam dois jogos por semana [juniores e seniores] o que os fez crescer enquanto atletas, mas em termos mentais, na 2.ª Fase (de subida de divisão) de seniores, senti algum cansaço o que prejudicou imenso no rendimento da equipa. Este ano já não há subida de escalão, mas estes dois anos de adaptação a um escalão de seniores foi importante para os atletas.

Como coordenador, como analisa o desempenho dos restantes escalões (masculinos e femininos)?

Primeiro gostaria de dar os parabéns a todos os treinadores que fizeram parte dos quadros técnicos do Feirense – Andebol porque, na minha opinião, foi o melhor ano de sempre na formação, o que nos perspectiva um futuro risonho. Conseguimos também colocar cinco atletas na 1.ª Divisão, o que é bastante importante e reflecte o nosso trabalho. Significa que estamos a produzir na formação atletas de qualidade elevadíssima, que os seniores do Feirense ainda não conseguem acompanhar. Espero no futuro conseguir acompanhar toda esta formação nos seniores. É um objectivo, nos próximos anos, os seniores subirem de divisão para conseguirmos manter todos os atletas de qualidade da formação. Gostaria ainda de ressalvar o importante papel de todos os dirigentes para o sucesso da época.

Já há reforços garantidos para o plantel sénior?

Já. Contratámos o João e o Jorge Valinho, que se sagraram recentemente Campeões Nacionais da 2ª Divisão Nacional de Juvenis ao serviço do Avanca e o guarda-redes João Vítor, que foi formado no Feirense e agora regressa a casa para assumir um papel preponderante no ataque à subida.

Quais os objectivos projectados para a próxima temporada?

A próxima época já recebeu um novo grande alento com a decisão do presidente Armando Castro em se manter em funções. A sua continuidade é fundamental para o projecto e para a minha manutenção também. Os seniores, como temos um projecto que deriva em 90% de jogadores da casa, tudo depende de vários factores. São atletas amadores, depende sobretudo do quotidiano de cada atleta porque muitos estudam, outros trabalham e depende da qualidade de treino e volume de trabalho que possa haver. Mas cada vez são mais as dificuldades porque, como disse, alguns jovens de qualidade começam a sair para divisões superiores e colmatar a qualidades deles não é fácil, mas é possível com trabalho. Neste momento, claro que decaímos um pouco de qualidade, mas penso que com o grupo que ficou vamos conseguir atingir níveis elevados. O objectivo é sempre de subida, mas é evidente que sem qualquer tipo de investimento torna-se mais difícil. Nos escalões de formação é continuar o trabalho evolutivo do projecto e de atletas. Queremos olhar para o atleta e ver a sua evolução (mental, social e desportiva), independentemente dos resultados desportivos. Depois cultivar o espírito feirense. Os escalões estão todos nos nacionais ou chegam às provas nacionais e o objectivo é continuar assim.

A falta de pavilhões é sempre uma questão abordada no planeamento do Feirense – Andebol. Como está encaminhada a situação para a próxima época?

Há um pavilhão novo no Concelho que é o de S. João de Ver. A autarquia ainda está a analisar o número de horas que nos pode dar nesse pavilhão. Esse aumento de número de horas é muito importante para o andebol do Feirense, para criar raízes para sermos uma das potências do andebol nacional. Há a possibilidade de desenvolvermos um projecto de andebol com o S. João de Ver. Poderá ser um projecto-piloto, em que um clube, já com estrutura, ajuda a abrir/estruturar um outro clube de andebol no mesmo Concelho. Pode ser importante para criar uma maior base de recrutamento de atletas.

Como está a correr a experiência na Selecção Distrital da Associação de Andebol de Aveiro? É para manter?

Sim, vou continuar. Eu gosto de trabalhar com jovens, potenciá-los, ver quais são as dificuldades dos atletas e dar-lhes mais ferramentas. Gosto, particularmente, de olhar para um atleta e projectá-lo para o futuro. Acho que o trabalho nas selecções distritais é muito potenciar atletas para as selecções nacionais e que estes bons jogadores não se percam a meio caminho da formação. Neste momento, o problema no andebol é que há poucos jovens (de 21, 22 anos) a entrar nos plantéis seniores, muito porque se perdem entretanto, agora os jovens têm muitos outros atractivos de tempos livres.

in: jornal CORREIO DA FEIRA

Sem comentários: