segunda-feira, 14 de maio de 2018

Nuno Manta, «o menino» das gentes da Feira, foi o rei da festa

Pelo segundo ano consecutivo, o Feirense celebra a permanência que tem um rosto principal: Nuno Manta Santos

Mal soou o apito final do Feirense-Estoril, enquanto jogadores, dirigentes e até adeptos invadiam o relvado do Marcolino de Castro para celebra um doce 0-0, Nuno Manta Santos, o técnico que conduziu os fogaceiros, pelo segundo ano consecutivo à permanência na Liga, desapareceu no túnel de acesso aos balneários - explicou depois que tinha prometido à esposa e à filha que as primeiras palavras seriam para elas, «independentemente do que acontecesse».


Poucos instantes depois, no regresso ao relvado, o treinador tornou-se o centro das celebrações. Com os jogadores espalhados por todo o campo, muitos já meio despidos, a maior concentração de adeptos estava em redor de Nuno Manta Santos.

Os adeptos atiraram-no ao ar, cantaram o seu nome e andaram literalmente com ele em ombros por todo o relvado. Ele foi o rosto mais procurado para aparecer nas selfies, levou banhos de água fria. No fundo, foi elevado a rei da festa.

E caso não é para menos. O Feirense celebrou o centenário há poucos meses e em toda a sua história, apenas por duas vezes conseguiu a permanência na Liga. Ambas, com o «o menino» do Feirense ao leme.

«O principal responsável é o Nuno, o nosso menino!»

Já depois da conferência de imprensa onde Nuno Manta comentou «que muita da gente que [o] abraçou e deu os parabéns no final do jogo» foram seus atletas, alunos ou são amigos que fez ao longo de mais de 30 anos a viver em Santa Maria da Feira, muitos eram os adeptos que aguardavam a saída dos jogadores para seguirem com eles em festa pelas ruas da cidade.

Entre eles, uma família inteira vestida a rigor chamou a atenção do Maisfutebol. «Se quer falar com alguém, tem de ser com este senhor aqui que ainda agora ganhou o prémio de sócio do ano», avisaram-nos.

E rapidamente se percebeu que o amor ao clube era a justificação para a distinção recebida por Valdemar Andrade, que nos avisou logo: «Já venho ver o Feirense desde 1971».

E o que é certo é que durante a conversa com o nosso jornal, o homem de 52 anos foi mostrando fotos atrás de fotos que comprovam a fidelidade ao clube da terra e do coração.

«Isto é na gala em que recebi o prémio. Aqui, foi quando fui representar o Feirense num programa da TVI. Olhe, esta é da minha neta no dia da nossa subida em 2010-2011, aqui contra o Leixões. E esta? Veja, é deste meu neto que começou a caminhar ali mesmo no relvado do estádio. Veja, tenho a foto», orgulhava-se.

E para alguém que valoriza tanto a família, aquela que tem no clube também tem um lugar especial no coração de um adepto que garantia que não sofreu durante o jogo.

«O principal responsável pela permanência? Acho que foi todo o Feirense, mas, se calhar, um bocadinho mais do treinador, o Nuno, que é o nosso menino», confidenciou.

E porquê essa distinção, insistimos. «Então, ele é aqui treinador desde que era miúdo. É um treinador jovem daqui da terra e foi ele que conseguiu isto», acredita Valdemar Andrade, com a concordância do neto, Enzo - o tal que começou a caminhar no relvado do Marcolino de Castro e que também já joga pelo clube - e da neta, Índia, que com um cachecol na testa corrigia: «eu não gosto do Feirense, eu adoro o Feirense!».

Logo a seguir, a conversa com o Maisfutebol é interrompida, pela saída do autocarro do Estoril. «Vamos aplaudir os meninos do Estoril, eles merecem», pediu o avô aos netos, sendo acompanhado por muitos dos adeptos do Feirense que ali estavam. «Força rapazes, boa sorte para o próximo ano», saudaram.

(Valdemar Andrade, o «sócio do ano» do Feirense, acompanhado dos netos, nas bancadas do Marcolino de Castro - foto cedida por Valdemar Andrade)

Depois de sofrer, a mãe do capitão Cris, misturou-se na festa

Quem também estava na festa que se fazia nas imediações do estádio era Célia Santos, mãe de Cris, jogador e capitão do Feirense, clube onde deu os primeiros passos no futebol.

«Isto é uma alegria e uma felicidade tão grande», resumia ainda emocionada. «Depois de tanto sofrimento no jogo, só temos de sair daqui de coração cheio por esta festa», resumia, sublinhando que «para quem tem os seus a sofrer dentro do campo», um feito destes torna-se ainda mais saboroso.

«E para o Cris também é muito especial conseguir isto com o clube do coração. Ele foi criado aqui. Começou com 9 ou 10 anos, fez-se homem e jogador neste clube, por isso é muito diferente poder festejar uma coisa destas», concluía.

(Célia Santos [à esquerda], mãe de Cris, capitão do Feirense, celebrou com outros adeptos a permanência do clube onde o filho começou a jogar futebol)

in: MaisFutebol.iol.pt

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