terça-feira, 15 de maio de 2018

Como sentir "equipa e jogo"


Fim do campeonato. À medida que festejava enlouquecido pelo relvado cheio duma multidão de adeptos que o tinham invadido mas soou o apito final, Nuno Manta Santos, treinador do Feirense, ia distribuindo abraços que se sentiam ser mais do que... abraços. Existia uma intimidade de alegria em cada um deles que revelava o que disse no fim: "Era que olhava para abraçar alguém e era alguém conhecido, a quem já dei aulas na escola, que foram meus jogadores miúdos, que simplesmente conheço, porque, sabe, a Feira é uma cidade pequena, estou aqui há 30 anos e todos nos conhecemos."

O futebol precisa muito destes refúgios emocionais que só se encontram nestas suas profundezas. Por isso, a forma como a equipa jogou, lutou ou sofreu foi a expressão desse sentimento. Durante o comentário, queria falar de táticas, mas em cada jogada era isso que via. O Estoril até estava a jogar bem melhor, atacar com mais perigo, e o Feirense não conseguia sair na transição defesa-ataque ficando cada vez mais atrás. Acabou o jogo numa caverna junto da sua área, afastando a bola como se fosse uma granada, e segurou o tesouro do 0-0 e seu ponto salvador. Todos os jogadores também terão imaginado o mesmo do treinador, que já se conheciam de outro sitio, e de outros tempos, como se tivessem crescido juntos.

in: jornal O JOGO
Luís Freitas Lobo

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