quarta-feira, 30 de maio de 2018

Quitó: “A melhor profissão do Mundo”

Percurso
Comecei por praticar atletismo aos 7 anos mas o futebol sempre foi o meu sonho. Aos 14 anos fui às captações do Feirense, com o treino já a decorrer, e nunca mais me deixaram sair. A partir daí começou a minha história de 20 anos no clube.

Day one
Jogar futebol para mim foi uma alegria mas tive a sorte de apanhar as pessoas certas do clube, tanto nas camadas jovens como nos seniores. Tive o Eng. Brandão e, enquanto presidente, ele foi como um pai. Nunca me deixou sair daqui. Quase que cheguei a assinara pelo S.J. Vêr mas quando fui para assinar o contrato ele disse-me “Quitó eles não têm dinheiro para te pagar, vais ficar aqui”. Quando entrei também já conhecia alguns jogadores: o Artur, o José Augusto, e o Amadeu. Foi aqui que cresci e me fiz homem

Com 20 anos, tudo poderia ser diferente
No futebol é preciso ter sorte e acho que não a tive. Tive, sim, a sorte de jogar, sempre, no clube que queria e que gosto. No entanto, hoje sei que, em termos financeiros e de carreira , saí prejudicado com esta escolha. Mas, na minha altura, os clubes não encaravam a transferência de jogadores como uma oportunidade para ganhar dinheiro e quando aos 20 anos surgiu uma oportunidade ela não se concretizou. Só algum tempo depois é que soube até que ela tinha existido. Foi, no balneário do feirense, num jogo frente ao Porto , por altura das fogaças, que soube pela boca do Reinaldo Teles que só não fui para o FC Porto porque o Espinho interferiu com as negociações. Curioso é que, entretanto, o Espinho também não chegou a um acordo com o Feirense e eu fiquei.

Pressão
Nos momentos que antecedem o jogo a pressão é maior. Quando a partida começa torna-se tudo mais fácil. Ainda agora no jogo do Feirense com o Estoril acho que nunca tinha sofrido tanto. Dentro do campo temos que lidar com a situação e sabemos que podemos controlar o jogo, fora do campo só podemos sofrer.

A exibição perfeita
Um dos jogos que mais me marcou foi um jogo em Aveiro, com o Beira Mar. Apesar de perdermos 1-0, o jogo correu-me muito bem. E, no outro dia, o titulo dos jornais era "feliz do treinador que tem um jogador como este". São palavras que mexem connosco e alimentam o nosso ego. Tenho também o jogo em Alvalade, em que abrimos o marcador frente ao Sporting, marquei um golo, perdemos 3-2 mas fiz um grande jogo.

O pesadelo União de Lamas
A carreira de um jogador é feita de altos e baixos. Lembro-me de dois jogos com duas lesões graves: uma no joelho quando fazia o treino da seleção nacional de esperanças, na fase de grupos em véspera do jogo com a Noruega. Onde fraturei um joelho e tive de ser operado. Passados dois anos, nova lesão, num jogo importante frente ao União da Madeira. As descidas também deixam marcas, especialmente a que tivemos em Lamas. Era o último jogo e não podíamos perder, descemos.

Os jovens
Nos meus 20 anos de carreira os meus pais só me viram jogar uma vez. Honestamente também preferia assim. Hoje é muito diferente. As famílias vão ver os jogos e reagem de uma maneira errada. Vemos situações que não podemos aceitar: criticas aos treinadores e aos próprios jogadores quando a maioria destes jovens ainda não sabem se vão dar jogadores. Os jovens estão lá para aprender e devemos deixar que o futebol seja uma alegria e uma forma de faze-los crescer livremente.

Henrique, o meu treinador
Não tenho o que dizer dos outros treinadores, mas o Henrique foi, sem dúvida, o treinador que mais me marcou. O Henrique foi meu treinador dos juvenis até parte da minha carreira como sénior e posso dizer que moldou-me como jogador. Ele incutia  muita disciplina e agressividade. Dentro de campo não era fácil lidar com ele, o home virava bicho, especialmente quando as coisas corriam mal. Tinha sim, uma coisa boa, quando acabava os treinos era excelente. Ainda hoje somos amigos.

Vítor Baia
Sempre admirei o Vítor Baia. Quando olhei para a baliza e o vi foi uma sensação mágica. Não lhe consegui marcar um golo mas valeu a pena. Também joguei frente ao Fernando Gomes, no Sporting, o Fernando Couto, No Porto e, no Benfica, o Valdo, que era mesmo um craque. Apanhei ainda o Magnunssum e toda a equipa do Benfica que chegou à final da liga europa.

Arrumado pelo Feirense
A minha saída é, na realidade, a parte mais triste da história porque sempre pensei que saia do futebol e do Feirense de maneira diferente. O Feirense quando achou que eu não interessava bateu com a porta. Não foi uma decisão minha. Na altura, o Rodrigo Nunes achou ser o melhor para o clube e não lhe guardo rancores. Não tenho rancor apenas tristeza.

Primeiros dias sem futebol
Os primeiros meses custaram muito, principalmente, pela maneira como foi. Depois de arranjar emprego e entrar nos veteranos do Feirense a dor foi atenuando.

Os veteranos
Os veteranos são a minha paixão. Desde os 36 anos que ao sábado a minha alegria é jogar futebol e estar com os amigos. Mas é engraçado porque nos veteranos ninguém quer perder e, por vezes, os jogos descabam.

"O clube que queria e que gosto"

Dados importantes
14 anos fui às captações do Feirense
2 2 lesões na carreira
20 20 anos de carreira

     Henrique Nunes
"O Quitó além de extraordinário jogador que ele era consegue, como homem, ser tão ou melhor do que como jogador. Era uma pessoa muito humilde, com uma grande qualidade humana, e é um homem extraordinário.


     Artur Brandão
O Quitó foi um miúdo que começou nas camadas jovens do Feirense e já na altura evidenciava muitas qualidades. Era um extremo esquerdo com muita velocidade e foi um grande jogador com grande potencialidades que ajudou muito o Feirense. Foi dos melhores que o Feirense teve.
in: Jornal N

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