segunda-feira, 4 de junho de 2018

A permanência mais saborosa

foto: CD Feirense
A claque Civitas Fortíssima 1514 foi o 12ºjogador da equipa de Nuno Manta e viveu uma época de sofrimento até conseguir festejar. Esta permanência "foi mais sofrida do que a anterior", desabafam os adeptos

Responsáveis pela claque do Feirense falaram a O JOGO sobre os momentos bons e maus de quem segue a equipa para todo o lado. Após a derrota em Vila das Aves, contam, choraram com os jogadores

Por trás de uma equipa de futebol, há sempre um conjunto de fieis adeptos, que fazem os possíveis, e muitas vezes o que parece impossível, para seguirem de perto o clube do coração. É isso que acontece com a claque do Feirense, a Civitas Fortíssima 1514, fundada em 2010 e constituída por cerca de cem elementos, que acompanharam a equipa de Nuno Manta ao longo dos 39 jogos realizados na época passada.


O JOGO esteve à conversa com três dos principais elementos da claque, o líder Flávio Correia, o vice-líder Tiago Vieira e Nuno Amorim, responsável pela logística, e todos referiram que "por vezes é difícil conciliar o trabalho e os estudos com os jogos, sobretudo quando estes são fora e acontecem às segundas ou sextas-feiras", mas frisam que "o amor ao clube merece sempre um esforço", acrescentando que este ano até à Madeira foram, algo que na época anterior não conseguiram, nas deslocações aos terrenos do Marítimo e do Nacional.

As duas últimas épocas foram marcadas pelo sofrimento, a sina de quem luta pela permanência. "Na época 2016/2017 não foi a permanência, foi quase uma ida à Europa [o Feirense ficou a dois pontos do sexto lugar]", atirou Flávio Correia, vincando que "esta foi muito mais complicada mas ao mesmo tempo saborosa, porque a cinco jogos do fim ninguém diria que a equipa de safava". A Feira é uma terra de milagres", completou Nuno Amorim, que apontou como o momento mais negativo da campanha "a série negra de 14 jogos em que a equipa só ganhou um jogo para o campeonato [Rio Ave] e outro nos penáltis, para a Taça de Portugal [Académico de Viseu]". "Essa fase foi muito complicada, mas o espirito de grupo e a união foram determinantes para conseguirmos o objetivo, embora houvesse alguns profetas da desgraça a dizer que já estávamos na II Liga. Mas a equipa demonstrou que veio para ficar", recordou. E houve algum momento em que temeram que desceriam de divisão? "Quando perdemos nas Aves, achei que já estava feito, mas no final desse jogo tivemos uma conversa com os jogadores, alguns deles a chorar tanto como nós, e voltamos a acreditar. Depois ganhámos ao V. Guimarães, na jornada seguinte, e ai tivemos a certeza de que íamos ficar. Mesmo faltando três jogos, passamos quase a depender só de nós. Ganhámos ao Setúbal e passamos-lhes à frente, e mesmo na ida ao Dragão acreditávamos, pois no ano anterior empatámos lá. O último era o Estoril, que à partida ganhávamos, mas não foi preciso", elencou, rindo-se o líder da claque, recordando o empate "bastante sofrido" com os canarinhos, pois "sofrer um golo deitava tudo a perder".

A discrepância de resultados de um ano para o outro ficou a dever-se apenas, segundo Tiago Vieira, "aos golos sofridos nos últimos minutos, pois a qualidade dos planteis era semelhante". "De jogadores importantes perdemos o Vaná, o Vítor Bruno, o Fabinho e o Platiny, mas víamos neste plantel capacidade para fazer muito melhor, só que tivemos azar em alguns jogos", lamenta, dando como exemplo as derrotas com o Sporting, Aves, V. Guimarães e Chaves, que destroçaram o grupo.

*A claque não falhou um jogo esta época. Não era fácil conciliar o trabalho e os estudos com o apoio à equipa, mas até na Madeira marcaram presença.


REAÇÕES
"Quando perdemos nas Aves, achei que estava feito. Mas no final desse jogo tivemos uma conversa com os jogadores, alguns deles a chorar tanto como nós, e voltamos a acreditar"
Flávio Correia, líder da claque

"A diferença de rendimento de um anos para o outro teve a ver com os golos sofridos nos últimos minutos, pois a qualidade dos plantéis era semelhante"
Tiago Vieira, Vice-líder da claque

"Tivemos uma série negra de 14 jogos em que só ganhamos um para o campeonato e outro, nos penáltis, para a Taça de Portugal"
Nuno Amorim, responsável pela logística


MANTA FOI “UM SANTO” DA CASA


A admiração pelo treinador fica patente nos elogios que os três adeptos lhe tecem. E o facto de ser da terra “ajudou-o”

Desafiados a analisar o trabalho de Nuno Manta desde que assumiu a função de treinador do Feirense, Flávio Correia, Tiago Vieira e Nuno Amorim alinharam nos elogios. “O Nuno Manta foi um santo que aqui apareceu, não havia ninguém que conseguisse fazer o que ele fez. É um homem da terra, muito acarinhado por todos, e até foi professor de Educação Física na Feira”, explicam, acrescentando que temeram o seu despedimento várias vezes. “Havia muita gente que achava que a solução era o Nuno Manta ir-se embora, é o normal no futebol: se um clube está mal, troca-se o treinador. Mas acho que ele tinha noção da responsabilidade e estar a tirar alguém que conhece bem o clube para ir buscar outro sem ligação ao Feirense não iria ajudar”, resumiram os três jovens, convictos de que a SAD agiu bem ao mantê-lo.

DIGA SERÁ CAPITÃO NO FUTURO


Apesar de admirarem todos os jogadores do plantel, os atletas formados no Feirense têm sempre um carinho especial por parte dos adeptos – casos do capitão Cris, do subcapitão Barge e do jovem Diga (na foto). “O Cris e o Barge são os nossos capitães, são da terra, vivem o clube, assim como o Nuno Manta, e foram muito importantes. O Diga é mais um dos nossos miúdos e está a treinar para ser o futuro capitão. Com a criação do campeonato sub-23, de certeza que vão aparecer mais jogadores aqui formados que poderão ascender à equipa principal”, defendem.

História levou à escolha do nome


Civitas Fortíssima 1514 é o nome da claque feirense que todas as jornadas apoia a equipa da terra e a sua escolha tem a ver com a rica história de Santa Maria da Feira. O nome, latino, significa “o povo mais forte”, que era usado para adjetivar a povoação fixada no território de Santa Maria da Feira, sendo um reflexo do carácter das gentes locais, que se foi perpetuando de geração em geração. Já o 1514 foi adotado pela claque por ser o ano em que o rei D. Manuel I concedeu foral à Feira e Terra de Santa Maria.

in: jornal  O JOGO
ANDRÉ BASTOS

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